sexta-feira, 2 de julho de 2010

O Fim de Uma Era


Relutei em escrever sobre futebol. Penso que todo brasileiro ficou um pouco triste hoje, e a culpa é do Dunga. Dunga, o símbolo de uma era que terminou hoje.
Dunga foi de vilão na Copa de 90, quando não fez a falta em Maradona, que acabou dando o passe para o gol argentino que eliminou o Brasil nas oitavas de final daquele ano. Estou escrevendo e lembrando os acontecimentos, e é tudo como um filme antigo em preto e branco. Por isso, não reparem se alguns eventos aqui narrados não aparecerem como na história, pois são apenas frutos de minhas recordações aliadas ao meu parco conhecimento futebolístico. Mas Dunga passou de vilão em 90 a símbolo de uma geração e uma nova forma de o Brasil jogar futebol em 94, deixando um pouco de lado o futebol arte e implementando um futebol feio, mas com resultados. Mas a era Dunga ainda não havia acabado ali, ela ficaria latente por mais um tempo, para renascer há quatro anos atrás.
Preciso dizer aqui que eu apoiei Dunga. Depois de muito tempo, finalmente vimos uma seleção com comprometimento para com a camisa que vestia. Com garra e bravura. Jogando às vezes feio, às vezes bonito, mas conquistando todos os resultados. Dunga foi, até hoje, um técnico vencedor.
Mas a culpa por estarmos mais tristes é dele. Foi ele quem nos fez acreditar que sua seleção era capaz. Foi ele que nos fez tirarmos de nossas mentes aquele Brasil de meias arriadas, que sorria e confraternizava com o inimigo após ser derrotado e humilhado por ele. Foi ele quem deu à seleção um coração de verdade - o nosso coração. Por isso é que a culpa é dele. Por onde navego aqui, vejo relatos de jovens e adultos que choraram. Eu não chorei, mas torci. Torci como há muito não torcia por uma seleção brasileira. Nem em 2002 eu senti a seleção como neste ano.
A seleção de Dunga chorou a derrota, assim como muitos brasileiros, que há muito não viam um time brigador, com direito a um Robinho gritando e apontando o dedo para adversários em campo e a um Kaká que soltava palavrões de fúria quando as coisas davam errado. Há muito não se via algo assim.
Mas a era Dunga obteve, hoje, seu ponto final. O futebol arte deve voltar às vitrines, e, com ela, muita marrentice e bundamolice eu creio. Mas vamos torcer igual. Vamos parar de trabalhar e vamos nos reunir para celebrar o futebol mais uma vez, e mais outra, e ainda outra. É a vida. É o Brasil...
E Dunga? Dunga voltará a ser o vilão. Sairá da seleção para entrar para a história: o único a ser vilão e se tornar um herói, apenas para se tornar vilão novamente. Mas eu ainda estou com ele, e, se pudesse retroceder no tempo, daria a ele meu apoio e meu voto de confiança. Afinal, futebol é vida, e nossa seleção estava morta há algum tempo...