sábado, 10 de julho de 2010

E se fosse possível?

- Quer ver o mundo como eu vejo? - Propôs Alberto, oferecendo-me seus óculos.
- Isso é possível? - Duvidei.
- Experimente! - Ele me disse.
Estendendo minha mão incrédula, tomei-lhe os óculos. Coloquei-o no rosto ainda desconfiado. Porém, quando olhei a minha volta com os óculos de Alberto, tudo estava diferente! Era fantástico! Parecia que eu havia entrado em algum filme ou coisa parecida, mas era muito mais que isso. Comecei a me sentir diferente em relação a tudo, como se eu não fosse mais eu. Até as cores e as distâncias me pareciam diferentes. Não conseguia achar as pessoas bonitas ou feias, eu apenas sabia se elas eram bonitas ou feias; ou então sabia se elas eram falsas, preconceituosas e não gostavam de mim. Tudo estava fora do lugar, mas, ao mesmo tempo, tudo estava exatamente onde deveria estar. Eu não só tinha entrado em um filme, como era o personagem principal do filme. Não, aquilo não era um filme; era uma vida! E tudo parecia caber dentro de mim. E não é que aquilo tudo me parecesse real, era real. Comecei a perceber que algumas pessoas provocavam um nó em minha garganta e me reviravam o estômago: eu não gostava delas e tampouco elas de mim. Só de começar a pensar nelas, comecei a passar mal, Alberto percebeu.
- Pode me devolvê-los agora? - Pediu-me ele.
Ainda com um nó no estômago, causado por sensações que eu ainda não entendia, devolvi-lhe os óculos.
- Fascinante, não? -  Disse Alberto, recolocando os óculos e sorrindo para mim.
Eu apenas balancei a cabeça sem saber se o movimento que fiz significava um sim ou um não. Estava estupefato. Até hoje ainda não sei o que pensar a respeito daquela experiência.