terça-feira, 22 de junho de 2010

Idades e Afins

Eu tenho 30 anos. Isso significa que meu corpo já tem 30 anos de uso. E também quer dizer que já perdeu muito valor de mercado! Afinal, quanto mais usado, menor o valor. Ou não, vai que eu me torne um modelo clássico, tipo um Ford Galaxy, por exemplo. Ou como aqueles móveis antigos que deixam qualquer ambiente bonito.
Mas eu não tenho apenas 30 anos de idade. Eu tenho 5, 15, 30, 60 anos de idade. Depende. Eu tenho várias idades mentais e sentimentais dentro da minha carne, dentro de minha mente e do meu coração. Acho que sou bem desenvolvido em algumas áreas, mas ainda estou engatinhando como um bebê em certas outras. Quais? Ah, isso nem vou dizer. Primeiro porque nem saberia ao certo quais são elas [mentira! tem algumas que eu sei muito bem]. Mas penso que desenvolvo bem a comunicação. Sim, essa eu acredito que acompanhe minha idade física. Eu aprendi a me comunicar com os outros, com os livros, com os filmes e com as músicas. Mas ainda possuo muitos sentimentos infantis que volta-e-meia insistem em me dominar, sem aviso prévio. Mas a comunicação, essa até que vai mais ou menos.
O problema é que enquanto há cada vez mais e melhores formas de desenvolver a comunicação, há cada vez menos razões para fazê-lo. Embora os avanços tecnológicos nos coloquem, humanos, todos juntos em uma mesma sala, sabemos nos comunicar com os outros cada vez menos. Chego a um extremo de querer desaprender a arte de comunicar-me. Quem sabe eu me tornaria uma pessoa normal de novo? Acho que vou comprar uma vuvuzela africana, e toda a vez que alguém falar comigo, vou dar-lhe uma vuvuzelada daquelas de copa do mundo - de doer os ouvidos. Faça o teste e constate: conte um problema a alguém e veja se aquela pessoa estava prestando atenção no que você estava falando ou em si mesma. Se ela começar qualquer frase que comece com a palavra eu ou seus derivados, desconfie! Porque enquanto você contava sobre o seu cachorro que morreu atropelado, ela não estava te ouvindo e tentando entender como você sentiu sua perda, ela estava tentando lembrar de como ela se sentiu quando perdeu aquela tartaruguinha que se esqueceu de alimentar por um mês. Atentai bem: isso não é saber ouvir, isso é colocar a si mesmo antes de tudo e de todos sempre. Não vou dizer que isso está certo ou errado, apenas que acho muito mais atraente vestir a roupa do outro e tentar sair de si mesmo, e arriscar aquela coisa louca que alguns chamam de empatia (favor não confundir com homeopatia ou afins).
Enquanto isso, a única coisa que percebo evoluir na arte da comunicação interpessoal é a tecnologia, pro resto falta tempo.
Mas eu estava falando de que mesmo? Ah, já sei! Comecei falando de uma coisa e terminei falando outra bem diferente? Hum... Hora de tomar meu remédio outra vez!

Ps: [Mentira! Nem tomo! Prefiro minha insanidade aos ansiolíticos...]