sexta-feira, 23 de abril de 2010

Vomitando letrinhas...

[mais um devaneio produzido pelo autor deste blog...]




Acabo de ter um insight sobre parte de minha loucura. E ainda bem que o notebook estava por perto para presenciar isto. É, porque muito do que tenho ideia de escrever acaba não virando texto, porque pouco tempo depois eu já esqueci o que tinha pensado. Mas vamos ao meu insight...
Certa vez eu era uma pessoa jovem. Jovem e falsa. A falsidade consiste em você tentar parecer aquilo que não é, enganando, assim, os outros. É uma espécie de estelionato moral, sentimental e comportamental. Acontece muito, principalmente no início dos namoros adolescentes, quando as pessoas fazem aquilo que imaginam que agrada o outro em detrimento do que são na realidade. Dessa forma, acabam por induzir o outro a erro, a respeito daquilo que se é e do que se pensa - daí o estelionato. Ficou meio confuso? Não importa, então sigo...
Certa feita, resolvi dar um basta. Eu devia ter o quê? Uns dezessete anos talvez. Bom, o fato é que, enquanto estavávamos reunidos, meus melhores amigos e eu, eu resolvi expressar verdadeiramente o que sentia. Dá prá pintar uma cena dessas? O pior não foi minha decisão de fazer aquilo, mas o que eu acabei falando a todos na ocasião. Eu simplesmente disse que me sentia inferiorizado, como se eles fossem mais do que eu. Simples e rápido. Não coloquei a culpa em ninguém, obedecendo a regra número 1 para relacionamentos humanos (espero que você não tenha faltado essa aula...): nunca colocar a culpa de nossos sentimentos em outrem, pois nós somos os responsáveis pelo que sentimos. Sabe quando você tem um enjôo que parece que a única maneira de melhorar é colocar tudo pra fora? Foi o que eu fiz. Aquilo me incomodava, e eu simplesmente botei para fora.
Hoje, analisando melhor o que fiz, penso que é loucura fazer uma coisa assim. E aí reside o meu falado insight, desde aquela época é que sou meio maluco. Hoje, mais ainda, já que vivemos na era da impessoalidade e da superficialidade nos relacionamentos. Eu, no entanto, insisto em não ser assim, e em expressar aquilo que ainda sou capaz de sentir. Mas parece (e aqui faço uma ressalva de que é apenas a minha percepção) que o mundo está indo para o buraco em todos os sentidos. Olho à minha volta e vejo relacionamentos baseados em nada. Vejo pessoas vazias procurando preencher seu vazio com o vazio de outras pessoas. Vejo uma sociedade cada vez mais miojizada, irritadiça, intolerante. O que tem dentro de mim, faço questão de compartilhar com o mundo, se precisar. Meu blog é parte deste meu livro aberto a quem quiser ler. Mas o que tem dentro das pessoas? Fico triste quando não consigo ver. Elas se cobrem com muitas outras coisas que nota-se a quilômetros de distância que não fazem parte delas. Sinto o cheiro da falsidade de longe, mas não culpo as pessoas falsas. Eu entendo, já fui assim. Hoje sou mais eu, o que quer que isso signifique. Ou então elas se revestem de uma casca impenetrável, e fica impossível ver o que há debaixo dela...
Bem, desde que resolvi abrir o jogo, naquela tarde ensolarada de sábado, há uns 12 ou 13 anos atrás, me tornei outra pessoa, e fui capaz de descobrir quem eu sou na realidade. Encontrei, de relance, meu verdadeiro eu. Mas ele passou tão rápido, que não deu para perceber direito como ele era. Desde então, sempre explico às pessoas à minha volta como sou, na esperança de encontrar meu eu novamente. Mas meu verdadeiro eu é tão rápido que sempre acaba me escapando, e eu tenho que começar tudo de novo, cada vez conversando com uma pessoa diferente.
É um círculo vicioso. Um looping infinito. Eu digo a você quem eu sou. Você me diz quem você é. O teu reflexo me causa um impacto tão grande que acaba me modificando. Quem era eu mesmo? Ah, não importa mais, já sou outra pessoa. Nem falso, nem verdadeiro; apenas dinâmico, apenas eu mesmo. Vou me buscar de novo. Você pode me ajudar?