sexta-feira, 30 de abril de 2010

Loving people...


[texto iniciado há uns dias atrás... concluído agora]

Atendi uma senhora idosa hoje. Há menos de oito horas atrás. Ela me fez ver, mais uma vez, o quanto as pessoas são fascinantes. Pena que provavelmente eu não consegui demonstrar o quanto eu a achava fascinante. E não era a hora nem o lugar para fazer isso.
Ela não sabia o que queria exatamente, apenas sabia que tinha um problema. Típico. Todos somos assim: nunca sabemos 100% o que queremos. Vamos ao mercado, ao banco, à padaria, ao posto, à loja que vende roupas e calçados, enfim (ufa!), vamos a muitos lugares carregando apenas as nossas necessidades. Temos plena consciência de que precisamos comer, dormir, vestir, comunicar e ganhar dinheiro; só o que não sabemos, na maioria das vezes, é como faremos isso! Mas daí já é questão de marketing, que é a ciência que visa a satisfazer nossos desejos e necessidades. Bom, não é exatamente isso, mas vai nesta linha. Mas nem era isso que eu queria dizer. Estou apenas, mais uma vez, fugindo do assunto. Voltemos...
A gente não está acostumado a reparar nas pessoas. Não bons nisso. Passamos pelas pessoas todos os dias sem parar de correr para vê-las.
Você já parou para pensar no universo fantástico que cada pessoa representa? Todos os dias estamos esbarrando em super-heróis disfarçados! Alguns estão disfarçados de mãe, outros de carteiro, outros de estudantes, outros, ainda, de meros trabalhadores na selva urbana. Todos, sem exceção, com suas fraquezas e seus superpoderes... e eu ficaria grato se pudesse conhecer apenas alguns deles por ano.
Lembrei-me do filme Beleza Americana. (De novo? Por que vivo lembrando esse filme?) Há uma frase que o garoto diz, que até hoje me causa um nó na garganta quando assisto ao filme: “... às vezes, há tanta beleza no mundo que quase não consigo suportar, e meu coração parece que vai sucumbir...” Bem, é isso que sinto às vezes. Como quando atendi aquela senhora. Ela era o saco de plástico voando no vento. Havia toda uma vida ali, bem na minha frente! Meu desejo de mergulhar na vida das pessoas não chega a ser uma fuga da minha realidade, é apenas um desejo. Como o alpinista que anseia por escalar montanhas, ou o músico trilhando o caminho de uma nova sonoridade.
No fim das contas, acho que é isso que somos: montanhas íngremes, sons harmoniosos, filmes emocionantes... enfim, heróis.