terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Vento no litoral...



Ventos começam a soprar, como aqueles que precedem grandes tormentas. É preciso ficar atento, pois algumas rajadas são perigosas. Chega o carnaval. Os ventos dão uma trégua. E começam novamente (dizem que o ano começa depois do carnaval). Cinquenta, sessenta quilômetros por hora. Em alguns momentos chegam aos oitenta-noventa, mas eu estou calmo, pois sei que poderia (e provavelmente será) bem pior. Não posso perder o controle, senão os ventos de duzentos e cinqüenta quilômetros por hora me esmagarão. Sim, preciso estar preparado é para estes! Os outros serão apenas brisas suaves.
Não, não é pessimismo. É planejamento. É pró-atividade (que uma vez era com hífen, hoje já nem sei). Significa tentar estar um passo à frente. Prever cenários.
Ah, que venha o vento! Que a chuva caia sobre mim tão forte e esmagadora que faça minhas pernas arquejarem! Então poderei me erguer, no meio do temporal, para desafiá-la. Para provar que ela não pode me vencer. Nem mesmo sendo dura, fria e molhada. Este ano quero correr contra os ventos fortes e usá-los a meu favor. E, tenho convicção disso, vou ficar em pé!


Esse ano quero ser idiota e confiar nas pessoas. Ser ingênuo e acreditar nelas. E, quando elas me decepcionarem e traírem, vou dar uma segunda chance, e uma terceira, e uma quarta...
Fazer o melhor porque o melhor deve ser feito. Por que é natural querer buscar a perfeição, apenas pelo prazer do que se faz. Amar de forma utopicamente incondicional e besta. Ser criança e chorar quando cair, e depois rir da queda incontrolavelmente...
Sofrer as dores com vontade, sem tentar fugir do sofrimento. Abraçar a cruz de cada dia, e ajudar os outros a carregarem as suas.
Comer menos, poluir menos, beber menos, fumar menos, trabalhar menos, e viver mais.
Ser amigo, amante, colega, amigo, marido, namorado, parceiro, companheiro, pai, padrinho, compreensivo, chato, protetor, motivador, líder e seguidor. E às vezes ser nada. Ninguém. Como aquele grão de areia esquecido e pisoteado na praia.
Não serei 8 ou 80, nem olho-por-olho, nem qualquer coisa que o valha. Serei o que precisar, quando precisar, do jeito que precisar. Ou não serei nada, se precisar.


Sim, os ventos já estão aí. 
E eu? Eu não ligo a mínima!