quinta-feira, 23 de julho de 2009

Everybody Need Somebody


Faz um tempo que nunca mais tinha escrito nada. Fruto das múltiplas tarefas das quais sou responsável em minha lida diária. Bem, pensei em escrever algo para o dia do amigo, e o texto que escrevi abaixo já martelava na minha cabeça há algum tempo. Embora o dia do amigo já tenha passado, resolvi colocar isto no PC mesmo assim...

Vivemos na era da informação. A informação vira notícia num piscar de olhos. Há uns dias atrás morria o Rei do Pop Michael Jackson, e o mundo tomou conhecimento do fato em tempo real, antes mesmo de virar uma notícia ‘oficial’. E é assim em todos os campos da informação. Algumas informações viram conhecimento, e é preciso diferenciar uma coisa da outra: informação é nada mais nada menos que um fato, um acontecimento. O conhecimento não. Conhecimento implica compreensão, reflexão; é a informação elevada à luz da experiência, da introspecção. É isso ou qualquer coisa assim. Uma pessoa, ao ler um jornal de circulação diária, adquire mais informação do que uma pessoa de alguns séculos atrás teria em toda a sua vida – e tudo isso graças às comunicações. A comunicação é a grande culpada por tudo isso. O celular e o computador nos abrem as portas do mundo, e através da internet, seja via web ou WAP, podemos ter acesso a quase tudo o que existe na face da terra. Quer aprender a fabricar chocolates? Pesquise na internet e aprenderá desde plantar um Cacaueiro até transformar o Cacau em chocolate em barras. Que tal produzir vinho ou cerveja? Às vezes pode não ser fácil, mas é factível. Tem como aprender a fazer até bombas na rede, é só saber procurar.

As comunicações interpessoais também ganharam um reforço adicional: o e-mail. Quem escreve cartas hoje em dia? É tudo através da internet. E se levarmos em conta os celulares, temos fofoca em tempo real (vide Gossip Girl). Porém, embora a comunicação tenha evoluído geometricamente no campo da tecnologia, no campo das relações interpessoais ela involuiu drasticamente. As horas destinadas diariamente ao computador acentuaram ainda mais as distâncias entre as pessoas. Parece mentira, mas quando se escrevia uma carta a alguém, era para contar alguma coisa pessoal, era uma maneira de comunicar algo pessoal; hoje não. Primeiro porque não se escrevem mais cartas, segundo porque ao escrever um e-mail, normalmente são apenas futilidades ou informações recolhidas na rede o tema central do assunto, e normalmente é precedido pelas famosas iniciais ‘Fw’ ou ‘ENC’, o que quer dizer que é apenas um redirecionamento de um outro e-mail. O que há de pessoal nisso? Quantas vezes por dia você manda e-mails para os amigos apenas para contar alguma coisa boa? Ou quantas vezes numa semana? Num mês?

Há milhões de pessoas com centenas de amigos em redes de relacionamento, mas como está a comunicação? No Orkut, por exemplo, dê uma olhada rápida nos “scraps” dos amigos e responda: há algo neles que não seja superficial?

É comum recebermos mensagens de todo o tipo que dizem “boa semana”, “bom ‘findi’”, “como vc tá?”, e assim por diante, mas é difícil que fujam de temas como geografia e festas de fim de semana. Em tempos de globalização e comunicação sem limites, estamos nos afastando cada vez mais uns dos outros.