terça-feira, 12 de julho de 2011

Tenório (Parte 1)



Tenório era um cara comum, semijovem. Semijovem é alguém que já passou de jovem, mas ainda é quase jovem. Talvez ele se enquadrasse mais como um homem semijovem em estado de jovem, e isso era extremamente incomum, para não dizer único. Não é que ser um homem jovem, ou semijovem (em estado de jovem) seja incomum, mas é incomum ver jovens (ou semijovens (em estado de jovens)) com o nome Tenório. E Tenório ia morrer. Não apenas morrer, mas ele ia morrer logo. E ainda por cima era um cara feio. Não no sentido de não ser bonito, era feio mesmo. Algumas mulheres achavam que ele era “mais feio que encoxar a avó no tanque e chamar o avô de corno”; porém outras já achavam ele era um cara comível. Feio, mas comível, porque era simpático - o que agrada a muitas mulheres. Já Tenório, é claro, nem desconfiava que pudesse ser do gosto de algumas mulheres, pois, se desconfiasse que elas o achavam comível, ele é que iria querer comer todas elas. Mas o caso é que ele realmente ia morrer logo. Pelo que o médico lhe havia dito, não ia durar muito tempo não. Provavelmente não passaria de um ano. Só que ele duraria bem menos de um ano, mas nunca poderia imaginar que seria tão pouco. E nós nunca imaginávamos que tão pouco tempo de vida lhe renderia tantas histórias. Até hoje, muito tempo depois que ele se foi, há quem conte suas peripécias mundo afora. E, analisando tudo o que aconteceu desde as más notícias do médico até o fim da vida, que chegamos à conclusão de que a notícia de que Tenório ia morrer foi o que o fez, enfim, viver. Tenório, após saber de sua própria morte, simplesmente mudou-se.