terça-feira, 13 de dezembro de 2016

Suicídio II

Estamos no fim de 2016, e já tem mais de cinco anos desde que escrevi sobre o que eu pensava sobre suicídio, em maio de 2011. Hoje, porém, não ouso reafirmar tudo o que escrevi, e vejo aquela opinião como de alguém com quem concordei um dia, mas que era simplista demais para ver o todo. Este eu atual, no entanto, não é tão simplista a ponto de deixar de reconhecer sua própria simploriedade (se é que essa palavra existe). Em múltiplos sentidos sou apenas mais um cara sem estudo; completamente ignorante a respeito do que me cerca. Agora é tempo de, reconhecendo isso, tentar entender um pouco melhor esse tema tão complexo, escrevendo mais uma série de besteiras ao respeito, como sempre foi do meu feitio (espero que poucas pessoas cheguem até aqui).
Em 2011 tratei do tema da maneira como o sentia na época. Por isso não recrimino quem pense daquela forma pois, em alguns casos, pode mesmo aquilo ser verdade. Ou seja, também não me recrimino por ter pensado daquela forma, nem por ter escrito daquele jeito - com com mais erros gramaticais do que gostaria. Lá eu afirmei de forma simplista e quase banal que o suicídio tratava-se de uma covardia. Sem me alongar demais requentando o que já escrevi, quero afirmar categoricamente que eu estava errado, e meu texto é quase um crime contra a gramática, contra quem já enfrentou dor de perder alguém dessa forma e contra quem já cogitou fortemente cometer o ato. Como estou nos dois últimos grupos, e acredito que consigo pensar um pouco diferente agora.
Agora acredito que a dor e a frustração de viver podem ser tão intensas que acabam destruindo o sentido da vida. Ou então a vida parece simplesmente ter chegado ao fim, enfim...
Mas a dor sim, a dor é o gatilho. É nisso que acredito agora. A insuportabilidade da dor e a falta de perspectiva de que as coisas melhorem é o que produz o resultado fatal. Primeiro o coração morre, e aí tudo vai perdendo o sentido. Sim, porque sem amor, sem coração, não há sentido para nada. A consequencia óbvia é interromper a própria vida. "Mas e os que ficam?" Bem, os que ficam ficarão bem - é o que pensa quem está partindo. Quem fica sempre fica bem. E vai chorar um pouco, é normal, mas com o tempo passa - o tempo cura tudo.
O tempo cura...
Sim, talvez se quem partiu tivesse conseguido esperar um pouco mais, o tempo tivesse tido tempo de fazer aquilo que o tempo faz tão bem.
O tempo. O tempo e a esperança, não do verbo esperançar, mas do verbo esperar mesmo. Porque se as pessoas esperassem, o tempo teria tempo.
É tão duro pensar que tudo poderia ter sido diferente se o tempo tivesse tido tempo. 
E a vontade que fica é de voltar no tempo para dar mais tempo ao tempo. 
E desculpe soar repetitivo, sou meio monótono em termos. Falo muito sem dizer nada. Triste...