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quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Blogs, Jobs e muitos pontinhos...

Eu olho os pontos - sei que há alguma coisa, algum desenho, escondido ali. Pego o lápis com minha mão ansiosa e imprecisa, e começo a conectá-los. Mas parece haver algo errado, então eu pego minha borracha e apago, para começar a ligar tudo novamente. Na segunda vez é mais complicado. Erro de novo, mas fica cada vez mais difícil apagar. Umedecer a ponta da borracha é uma estratégia arriscada, mas que pode dar certo. Pronto, foi difícil mas já é possível recomeçar. Não como antes, é claro, a folha fica cada vez mais danificada. Já no quarto ponto de um total de cerca de cinquenta, erro de novo. Minha vontade é de pegar aquela folha cheia de pontinhos e rasgá-la em mil pedaços.
Então ela chega por trás de mim, olha para meu futuro desenho e pergunta:
- Alguma coisa errada?
Dou uma risada irônica e nervosa e respondo. Minha voz é um grito sufocado, quando esgueira-se por meus dentes cerrados, para dizer:
- Tudo!
Ela me olha com um sorriso no rosto, daqueles que faz tudo o que há de ruim no meu mundo ir embora. Sua voz é como música, quando ela me fala:
- Não seja bobinho, está ficando lindo!
Eu olho para ela, olho nos olhos dela, e vejo que ela está sendo sincera. Está realmente lindo, aos olhos dela.
- E de que exatamente você gostou? - Agora eu também estou sorrindo, e já consigo falar como uma pessoa normal.
 - Gostei de tudo, mas achei esse detalhe aqui maravilhoso. É diferente de tudo que eu já vi.
Ela acaricia o papel exatamente em sua cicatriz, o ponto onde quase o furei de tanto apagar. Ela acha lindo. Não, maravilhoso. Eu via apenas algo horrível e imperfeito...
Ela sai da sala, deixando-me a sós com minha folha de papel. Eu olho para ela, mas nada vejo - meu olhar está perdido no infinito de meus pensamentos. Quando retorno a mim, vejo algo completamente diferente do que havia ali. Vejo algo bonito...



Um blog não deixa de ser um livro. Ao menos eu vejo meu blog quase como um livro. Talvez uma mescla entre livro, diário e ideias. Ah, e eu tenho tido muitas ideias, embora elas não saiam da minha mente para o computador sem que em precise escrevê-las. Isso sim eu acho que seria uma revolução: você pensa nos posts e eles aparecem! Bem, mas como ainda não é assim, minhas ideias vem e se vão. O pior é que até eu, que sou provavelmente o maior crítico de mim mesmo, considero algumas ideias boas, e ainda assim não as escrevo. Passam-se datas, fatos, notícias... enfim, a história acontece ao meu redor e eu nem estou aí. Ou melhor, eu estou aí; não estou é aqui. E o principal motivo pelo qual eu estava sempre aqui é que aqui eu vejo-me como sou, ao menos em parte. Tenho uma ideia melhor de mim. Puxa, nem há como explicar o que quero dizer com isso sem tornar-me muito repetitivo. O que posso dizer é que não vejo muita vantagem em escrever sobre algo que sou hoje, se amanhã serei outra pessoa. A única vantagem que talvez exista por trás de tudo isso é traçar uma linha do tempo que me permita "ligar os pontos", como disse o mestre Steve Jobs. Replicando o que ele disse:

"Você não consegue ligar os pontos olhando em frente; você apenas consegue conectá-los olhando para trás. Então você tem que confiar que os pontos irão, de alguma forma, se conectar no futuro. Você tem de acreditar em algo - nas suas vísceras, no destino, na vida, no karma, que seja. Essa abordagem nunca me decepcionou e tem feito toda a diferença na minha vida"


Quando vi essa frase a primeira coisa que veio à minha mente foram aqueles jogos antigos de criança do tipo de ligar os pontos. A gente ligava os pontos ordenadamente, e no fim aparecia um desenho. Eu ficava ansioso quando via aqueles pontinhos com números ao lado. Tinha que saber que desenho havia 'escondido' ali. E não tinha como saber o que havia ali sem ligar todos os pontinhos. Fui crescendo, e aquelas brincadeiras perderam a graça depois que me tornei capaz de antever o desenho escondido. Portanto, acho que o ato de escrever aquilo que sou, penso e sinto faz com que eu seja capaz de ver o trajeto que segui até aqui. Só que Jobs foi um visionário, um homem (e eu não tenho o menor constrangimento em usar clichês aqui) muito à frente de seu tempo. Eu sou um homem muito atrás de meu tempo, por isso não tenho a pretensão de ser capaz de ligar os pontinhos - nem de conseguir ver o 'desenho escondido' neles.
Por fim, já fazia algum tempo que não mais aqui escrevia, e já sentia saudades. Adoro escrever. Escrever faz com que eu desocupe minha mente. Mas talvez eu venha a escrever sobre isso outra hora.
Ou não...

quinta-feira, 30 de junho de 2011

O Início

O primeiro passo para tornar-me um grande escritor é tornar-me um escritor. Para tornar-me escritor é preciso escrever algo - e aí que está o meu problema. Tenho, agora, uma ótima oportunidade para iniciar esta escalada: há um concurso cultural de contos ocorrendo na empresa na qual trabalho. Então eu pensei: por que não escrever um conto e participar deste concurso? Decidi participar, e foi aí que os problemas começaram - preciso escrever um conto.
Para escrever um conto, é preciso primeiro ter uma ideia, e ando meio fraco de ideias ultimamente. Então eis que uma luz surge ao fim do túnel: surge-me uma ideia. Começo a escrever o conto.
Escrevo mais ou menos umas quinze linhas e paro. Somente após um ou dois dias depois é que repego o texto (repegar é pegar novamente) para prosseguir com a estória. Não prossigo. Antes disso, mudo muitas coisas do que já tinha escroto escrito e mantenho-me dentro das (cerca de) quinze linhas originais. Deixo de lado mais um pouco. (Um ou dois dias talvez? Não sei...) Quando re-repego o texto, resolvo reescrever todo ele novamente, por um novo ponto de vista, ignorando a ideia inicial.
É, realmente não vai ser fácil... nem uma coisa, nem outra.

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

A Impermanência



Nossa vida é feita de fases. A minha, ao menos, é. E agora chega uma fase que não sei mais lidar com minha própria vida, não sei viver - nunca aprendi. E percebo que nunca soube nada além daquilo que me ensinaram um dia. Claro que eu já sabia disso, e provavelmente esteja me repetindo novamente, como costumo fazer, mas o que quero realmente dizer é que a vida nos ensina muita coisa, basta que queiramos aprender com ela. Assim, olhar para o passado é ter a capacidade de ver o caminho que trilhamos a fim de tentarmos melhorar nossas rotas. E isso é péssimo, pois o que fizemos não pode dizer o que faremos em seguida; e pautar nossa vida por aquilo que acertamos e erramos no passado é engessar nosso futuro, e pode privar-nos de muitas experiências que nos seriam valiosas. Já sei o que você pode estar pensando ao ler isso: se já pôs a mão no fogo uma vez, porque fazer isso novamente? Parece loucura, não? A não ser que você saiba que o fogo nem sempre queima, tem vezes em que ele apenas nos aquece. E pode ser que você um dia sinta frio, e relute em se aproximar do fogo apenas por medo de se queimar mais uma vez. Então escolha: prefere arriscar se queimar novamente ou ficar congelando no frio?
Todo o dia fazemos escolhas, embora nunca ninguém nos tenha ensinado a fazê-las (e penso que ninguém poderia). E embora possamos escolher não escolher, isso não passaria de apenas mais uma escolha - a de não escolher. E no fim não há regras. Não haverá. E Nem toda a regra existe sem existir tem exceção, pois se toda a regra tivesse uma exceção, a exceção que confirmaria a regra seria uma regra sem exceções - o que invalidaria a regra de que “toda a regra tem uma exceção”. Princípios? Ética? Regras? Ora, meus caros amigos, apreciem tudo isso com moderação.
Ao menos é assim que penso hoje que as coisas deveriam ser. Mas isso é apenas hoje. Nessa minha fase de total impermanência, tudo não passa de mudanças, e amanhã talvez eu não concorde com a metade do que acabei de escrever aqui.
E vejo que já nem concordo mais...

terça-feira, 28 de setembro de 2010

O Impossível e o Nunca


Impossível? Nunca me diga isso! Impossível, como diz a canção, é só questão de opinião.
Enquanto isso, o nunca teima em acontecer todos os dias.

E você, de que duvida?

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Entre Rosas e Espinhos: Sobre Viver e Sobreviver


Viver é, muitas vezes, não ter a vergonha de ser feliz. E outras vezes é não ter a vergonha de sofrer. E acho que não precisamos esconder nem uma coisa, nem outra. Li em algum lugar uma frase da Martha Medeiros que dizia que era preciso viver a dor também. Era isso ou mais ou menos isso, mas eu concordo com ela. Não acho, porém, que devemos nos prender à dor - devemos deixar que ela se vá, e procurar a felicidade; só que não podemos também viver uma felicidade alienada e sem motivos. Não podemos fingir que as dores não existem e que nosso caminho são rosas - não podemos ignorar a presença dos espinhos. Às vezes viver, outras sobreviver. Viver a dor e deixá-la ir embora, acho que é por aí o caminho, embora eu ache que acho muita coisa e pouco saiba, ou quase nada. O que sei é que somos seres impermanentes. Não mudei minha opinião de que tudo muda constantemente. Olhe à sua volta, e preste atenção aos detalhes. Olhe sua vida há um ano atrás e compare com o agora, e me diga: você não mudou?
O mundo está mudando, as pessoas idem. Nós inclusive! Mas isso não precisa ser ruim a menos que você queira que seja assim. A chave da felicidade ou da tristeza não está nas mãos de ninguém além de você mesmo. Então, se você quiser mesmo ser feliz, sugiro que levante do sofá agora mesmo e faça alguma coisa. Afinal de contas, o mundo gira muito rápido.
Até quando você pretende ficar aí, parado?

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Falar ou não Falar...

Não gosto de falar. Não consigo falar. Todo o pouco que presumo saber se resume ao que escrevo, e isso é muito pouco mesmo. Agora, quando o assunto é falado... aí sei menos ainda.
Me enrolo nas palavras e tropeço nelas. No fim, prefiro o silêncio.
Mas nem sempre fui assim.
E talvez a blogosfera tenha sido o que me causou isso. Eu costumava ter a habilidade de expressar aquilo que pensava e sentia, mas agora sinto que sei apenas escrever. E isso não é tudo. Isso não é nada. Não, isso é nada, ou talvez menos.
Mas sinto e percebo meus pensamentos como se eles estivessem escritos. Admiro quem consegue falar. Admiro muito. Ainda pretendo ter o meu vlog um dia, mas isso requer muito treino e concentração. E tempo é o que menos tenho para tal agora.
Meus desejos de palavras faladas irão provavelmente para aquela pilha de "coisas que eu vou fazer um dia", que no momento está atirada num canto escuro de um armário mofado e feio, um canto de mim. Ou talvez eu seja assim mesmo - uma conjunção de coisas feias que tentam parecer belas a quem observa desavisadamente. Um homem mau que tenta ser bom.
Mas daí eu começo a pensar que somos todos assim - o que talvez seja mais uma armadilha da minha mente, tentando fazer os outros se parecerem com o que sou. Nos finalmentes, fica tudo no zero-a-zero, porque aquilo que sou, aquilo que penso ser, e aquilo que os outros vêem em mim de nada serve. De nada adianta. De nada é feito. E ao nada voltará um dia...
E esses estranhos e entrecortados pensamentos sim podem dizer algo 'verdadeiro' a respeito do que sou, ou ao menos de como me sinto: estranho e entrecortado. Pedaços múltiplos de muitas vidas, costuradas a esmo nesse ser que ora escreve, porque não pode falar...

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Em branco. Mas não por muito tempo...

Uma folha em branco. Não há nada nela, e ela está bem na minha frente. Fico olhando para ela, e ela parece retribuir olhar. Seria isso possível?
Não sei. Não pretendo descobrir. E penso na minha vida - ela também é uma folha. Não mais em branco, há muita coisa escrita. Algumas estão riscadas de modo que nem consigo mais entender. Taxado. Taxado duplo. Palavras escritas por sobre outras.
A folha dá a impressão de que posso escrever o que quiser, mas isso é apenas um engano. E, mesmo que me atrevesse a tal ponto, ninguém poderia entender se eu não escrevesse corretamente. Existem regras para escrever. Regras de ortografia - e estou preso a elas. Gosto das regras. Adoro a gramática. Claro que erro de vez em quando, mas nunca propositadamente. É curioso errar. Engraçado o que alguns erros produzem.
Eles geram novos significados para alguns pensamentos escritos.
Eles geram alguns pensamentos para novos significados escritos.
Eles geram pensamentos escritos para alguns novos significados.
E o que dizer da pontuação, então? Ah, poderia passar horas entrelinhando sobre ela.
E, enquanto isso, a folha ainda está a minha frente.
Mas não mais em branco...

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Apenas palavras...

Sentimentos não cabem nas palavras. Porém é impossível não admirar o esforço que estas fazem na esperança de traduzi-los! E o que seria dos sentimentos se não houvesse as palavras, afinal? Fico a pensar que talvez nem fossem tão intensos quanto são...
E também me parece que são as palavras, quando ditas (ou mesmo escritas), que tem o poder de fazer tudo acontecer. Tem o poder de emocionar, de iludir, de fazer viver ou de fazer morrer. Está tudo ali. Está tudo aqui. Com palavras, aquilo que está distante pode se tornar próximo, quase palpável; mas pode ocorrer o inverso também.
E pode ser que as palavras não ditas falem mais do que as ditas. Esta é uma antítese interessante: o silêncio das palavras grita!
Falamos as palavras, as ouvimos e as vivemos. E vivemos intensamente cada vírgula colocada no texto, ou esquecida, ou mal colocada intencionalmente. Nos equivocamos diversas vezes por nos perdermos em alguns de seus significados, mas nem é culpa nossa. A culpa, em última instância, será delas. Ambíguas palavras.
Não importa se falamos com mãos, boca, olhos ou coração. Se pararmos para pensar, elas estarão lá, ainda que apenas em nossas mentes, aguardando uma oportunidade para serem libertadas. Esperando por tornar nossas vidas melhores ou piores. Afinal de contas, elas sempre produzirão algum efeito. Sempre tem uma missão, para o bem ou para o mal.
Mas ainda resta uma questão a ser respondida: falarão as imagens mais que as palavras? Ah, embora possamos pensar que sim, prefiro pensar que as imagens apenas falarão palavras a mais. É algo semelhante ao que acontece aos sentimentos - basta um deles para que fiquemos cheio delas e de seus infinitos significados.
Quem tiver ouvidos para ouvir, ouça. Quem tiver olhos para ler, leia...

domingo, 8 de agosto de 2010

As Geladeiras de Minha Vida

Quando era criança, era pequeno. Meu maior sonho, minha maior aspiração, na época, era ser grande. É que eu queria ter o poder de olhar em cima da geladeira. Sim, é isso mesmo, meu sonho era poder enxergar o que havia sobre a geladeira. Lembro que era com curiosidade que eu via as pessoas grandes pegando ou deixando objetos ali. Ou então olhando para ver o que havia. E eu, morrendo de curiosidade. Apenas quando me pegavam no colo é que conseguia ver um pouco. Frustrante.
Cresci, e me dei conta de que podia olhar por sobre a geladeira o quanto quisesse. Só que, a partir daí, muitas outras ‘geladeiras’ surgiram - uma parecendo ser mais alta e intransponível que a outra. O problema é que não sei até que ponto me tornarei alto o suficiente para olhar.

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Ninguém pode dizer...

Ninguém pode dizer quem você verdadeiramente é.
Nem você mesmo.
Aceite isso.
E seja feliz.
Ou morra tentando.

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Vontades e Oportunidades

Queria tomar um café. Tomar café é muito simples, basta bebê-lo. Mas há muitas coisas por trás de um simples café. Para começar, é preciso ter algumas coisas à mão (como o café e o filtro, por exemplo). Tendo o que é preciso, precisamos aquecer a água, mas sem fervê-la. É que a água fervendo pode queimar o café e o gosto fica ruim. O próximo passo é passar o café. É preciso ter um pouco de paciência. Se você não possuir uma cafeteira automática (e a minha quebrou), tem que ir colocando a água aos poucos, até a medida certa. De qualquer forma, vai levar alguns minutos para que ele fique pronto.
Bem, eu quero tomar um café. A vontade existe. Os insumos estão todos aqui. Por que, então, não fazê-lo? Ah, é que eu estou com um pouco de mal estar, daqueles que fazem a gente ficar deitado no sofá sem querer fazer nada. E com um pouco de dor de cabeça, também.
Mas coisas que parecem simples podem nos dizer muitas coisas. E pensei que ser feliz é como tomar um café. Você precisa ter a vontade, mas ela por si só não basta. Tem que levantar do sofá, pegar aquilo que você tem e transformar em outra coisa. Precisa fazer o pó virar café pra tomar. A coisa é bem simples; o processo, porém, pode complicar um pouco. A água muito quente, insuficiente ou em demasia, pode comprometer tudo, e o café não vai ficar bom. Não tem receita certa. Eu, pelo menos, tenho a receita para o café de que eu gosto. Se bem que não é receita, é mais um feeling. Vou fazendo a olho...
E qual a receita para ser feliz? Ah, caros amigos, é muito simples, mas eu não saberia dizer - vou fazendo meio que no feeling. Só sei que, primeiro, é preciso levantar do sofá.
Agora me dêem licença, pois a minha água está no ponto.
Aceita uma xícara?

[Ps: Não encontrei os créditos devidos para a imagem]

terça-feira, 27 de julho de 2010

Hoje estou com um cansaço anormal, e nem quero escrever... não consigo.
Então pensei que viver é um pouco parecido com o que fazemos quando dormimos: às vezes basta apagar as luzes e fechar os olhos...

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Entre Amigos e Espelhos

Devo ter algum problema com os espelhos. Não sei, talvez seja a forma com que olho para eles, ou o meu ponto de vista, por assim dizer. É que quando olho para o espelho, ele me devolve uma imagem distorcida. Bem, na verdade sou eu que recebo uma imagem distorcida daquilo que ele me mostra. Mas eu sou assim mesmo, parcial. Não consigo olhar-me como sou de fato. Defeito meu. Mas talvez para isso existam os amigos! (?)
Quando conseguimos expressar as impressões que as pessoas à nossa volta nos transmitem e captar delas algo semelhante, acho que conseguimos entender melhor como somos de fato. Ou será que não? Isso me leva a pensar o que seríamos de fato. Aquilo que pensamos? Aquilo que sentimos? Aquilo que os outros pensam de nós?
Tenho dificuldades de aceitar que sou aquilo que penso. Não, não consigo aceitar isso. Me recuso a aceitar que sou tão pequeno assim. O que penso não te diz quase nada, é o que sou que faz a diferença. De que adianta pensar ser de um jeito, se você é de outro? Para que viver no mundo da fantasia e da hipocrisia?
Talvez eu esteja sendo extremista. Porém agora não consigo ser diferente, embora sinta ventos de mudança chegando. Afinal de contas, me parece que somos seres dinâmicos em constante mutação. (Putz, será que errei essa também?)
Então é assim, por enquanto encaro meus amigos como se fossem espelhos. Eles são capazes de me fazer ver aquilo que minha visão seletiva não capta: aquilo que pareço. Consigo traçar até um paralelo em alguns casos, entre aquilo que penso que sou e aquilo que os outros enxergam em mim. Mas estaríamos todos errados?
Em meio a tantas dúvidas, resta-me uma certeza quase solitária: é muito bom ter amigos verdadeiros...

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Eu, Artista II

In Black

A seguir, meus atributos artísticos. Contatos podem ser feitos através do botão 'pitacos', no rodapé da postagem.
  1. Músico Profissional: A única diferença é que não canto e não toco muito bem. Ah, além de não compor músicas próprias também. Mas se você deseja que sua festa termine cedo, sou uma excelente opção!
  2. Pintor Profissional: Já pintei várias paredes e forros vida afora! Tentei alguns quadros também, mas achei muito complicado.
  3. Escritor: Meu livro está quaaaase pronto! Tenho quase o capítulo um, quase o dois, quase pensei como será o terceiro, e o quarto...
  4. Ator: Sou o personagem principal da minha própria vida! Pensa que isso é pouca coisa???
  5. Diretor e produtor: Já produzi dois vídeos que estão postados no YouTube. Clique AQUI para acessar meu canal lá! Pra o trabalho ficar profi, só falta mais $$, tempo e experiência...
  6. Declamador de poesias: Sou capaz de declamar as mais lindas poesias que há no mundo, como esta de um célebre cancioneiro gaúcho: "O sol já vai se pondo, por detrás daquele morro; queria saber o teu nome, pra botar no meu cachorro." Boa impostação de voz garantida ou o seu dinheiro de volta!***
  7. Há muitos outros atributos a serem elencados, mas esta página seria muito pequena para tanto!
*** A excelente entonação/impostação da voz é garantida desde que as condições não sejam adversas. Além disso, a garantia perderá a validade no caso de textos muito longos, ou seja, com mais de três linhas escritas em folha de tamanho A4, utilizando fonte Times New Roman, tamanho 32.

sábado, 10 de julho de 2010

E se fosse possível?

- Quer ver o mundo como eu vejo? - Propôs Alberto, oferecendo-me seus óculos.
- Isso é possível? - Duvidei.
- Experimente! - Ele me disse.
Estendendo minha mão incrédula, tomei-lhe os óculos. Coloquei-o no rosto ainda desconfiado. Porém, quando olhei a minha volta com os óculos de Alberto, tudo estava diferente! Era fantástico! Parecia que eu havia entrado em algum filme ou coisa parecida, mas era muito mais que isso. Comecei a me sentir diferente em relação a tudo, como se eu não fosse mais eu. Até as cores e as distâncias me pareciam diferentes. Não conseguia achar as pessoas bonitas ou feias, eu apenas sabia se elas eram bonitas ou feias; ou então sabia se elas eram falsas, preconceituosas e não gostavam de mim. Tudo estava fora do lugar, mas, ao mesmo tempo, tudo estava exatamente onde deveria estar. Eu não só tinha entrado em um filme, como era o personagem principal do filme. Não, aquilo não era um filme; era uma vida! E tudo parecia caber dentro de mim. E não é que aquilo tudo me parecesse real, era real. Comecei a perceber que algumas pessoas provocavam um nó em minha garganta e me reviravam o estômago: eu não gostava delas e tampouco elas de mim. Só de começar a pensar nelas, comecei a passar mal, Alberto percebeu.
- Pode me devolvê-los agora? - Pediu-me ele.
Ainda com um nó no estômago, causado por sensações que eu ainda não entendia, devolvi-lhe os óculos.
- Fascinante, não? -  Disse Alberto, recolocando os óculos e sorrindo para mim.
Eu apenas balancei a cabeça sem saber se o movimento que fiz significava um sim ou um não. Estava estupefato. Até hoje ainda não sei o que pensar a respeito daquela experiência.

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Eu Não Existo (?)

Busquei-me. Debati-me por entre espelhos dos mais variados tamanhos e formas, desde engraçados até os mais horríveis e perturbadores, mas não me encontrei. Parece que me via de relance, com o canto do olho, de vez em quando.
Perguntei ao mundo sobre mim. Saí a campo, e a cada transeunte que passava, me colocava a explicar as características daquele eu que eu tanto buscava. Depois de dar as instruções de como era o eu perdido, as pessoas olhavam-me com aquele ar de ‘não vi e não conheço’, num espremer de bocas e balançar de cabeças extremamente desolador.
Até agora, só pude pensar em duas hipóteses para o meu sumiço: ou eu nunca me vi, ou os outros nunca me viram; se é que eu existo mesmo...

Dicas de Auto Ajuda (continuação)

Ou seria 'autoajuda'? Ah, danem-se as regras e as novas regras de português, aqui quem manda sou eu!
Primeira parte mais abaixo ou aqui!


Dica 4: Se está difícil viver, sobreviva: Tem dias que ficamos meio pra baixo, e parece que o mundo cai sobre nossas cabeças. (Se você quiser se matar, leia a dica nº 1, se não; siga.) Então esses dias começam a se repetir, e é o trabalho, a vida afetiva, os amigos, a família; nada parece que vai bem. Bom, para os tempos difíceis, o que temos a fazer é sobreviver! A sabedoria popular está certa ao afirmar que o tempo é um santo remédio. As tristezas de hoje podem se tornar a alegria do amanhã, mesmo que esse amanhã demore um pouco a chegar. Não se desespere se isso acontecer! Algo que você pode fazer é usar a tristeza temporária a seu favor. Para isso, escreva textos melancólicos e letras de música à lá Renato Russo em Vento no Litoral.  Assim a sua merda pode virar moda! Ou seja, curta a sua melancolia até não aguentar mais, então ela ficará tão enjoativa que vai fugir de você, e aí é só felicidade! Até a próxima noite escura...

Dica 5: Não envelheça: Tem muita gente ficando velha precocemente. Ficar velho é diferente de ficar idoso. Há idosos que são jovens (é quase o meu caso) e jovens que são velhos. Um velho reclama de tudo, critica tudo com ferocidade e não consegue perceber o lado bom das mudanças. Veja o exemplo do Orkut: quando mudaram os recados, muitos velhos se manifestaram contra, sem ao menos entender o que havia de bom ou ruim na mudança, apenas fizeram como aquele velho rabugento que não conhece direito, mas não gosta assim mesmo. Ser jovem é não ter medo de assumir alguns riscos. É procurar pelo que há de bom nas coisas, é experimentar! E, se for preciso criticar, será para o melhor, não para o pior. Quem é velho não é capaz de mudar, só de criticar. Quem é jovem, procura aproveitar, antes de repudiar. Amadurecer, porém, é algo importante e louvável; mas, por favor, não se torne velho antes do tempo...

Dica 6: A verdade não existe: A verdade não passa de um ponto de vista propriamente seu, e de mais ninguém. Pedro vê o muro e diz que ele é vermelho; João diz que é verde. Ambos brigarão por defenderem cada um suas convicções. Só que um não sabe que o outro é daltônico. O mesmo muro, mas pontos de vista diferentes: é só o que temos na vida. Não brigue por defender uma verdade, apenas exponha o modo como você vê as coisas. O muro vermelho? Puxa, amigo, mas eu posso te jurar que ele me parece verde quando o vejo! Te prometo que vou tentar prestar mais atenção para ver o detalhe que me escapou... Outro detalhe que pode mudar ainda mais a estória é se cada um deles estiver de uma lado diferente do muro. E aí? Ambos estarão sempre certos, segundo seus pontos de vista. Simples, não?

Ps¹: São dicas baseadas em minha claudicante e parcial sabedoria de vida. Você já sabia disso, não é mesmo?
Ps²: Se você achou isso aqui ruim, fuja enquanto há tempo, virão mais posts desse naipe aí...
Ps³: Se você se enquadra no que escrevi no Ps², o que ainda está fazendo aqui? Vai (re)ler um livro do Paulo Coelho!!!
Ps²³²¹³: A imagem do muro dá um belo papel de parede...

terça-feira, 6 de julho de 2010

Sentidos

As coisas não são sempre o que parecem, e quase nunca parecem aquilo que são. Vemos apenas uma parte do todo, que hoje é, amanhã não mais. E vejo acontecer com as pessoas, e vejo que acontece comigo. Não sou aquele que sou. Nem ao menos sou aquilo que sou. Sou apenas o pedaço de uma parte de um pequeno fragmento particionado em milhões de pensamentos, sensações e sentimentos; que variam dos mais nobres aos mais pobres, torpes e fúteis que há. Mas amanhã tudo aqui será passado, e talvez nem mereça ser lembrado. Apenas o que fica é a impressão que deixamos nos outros, e as que eles deixam em nossas atormentadas almas. Almas prisioneiras de um cativeiro sobre o qual somos inconscientes ou pouco sabemos a respeito. No fim, apenas o pó aqui restará. Mas onde estaremos nós? Eu sei que estarei em você, porque você um dia leu este texto e talvez outros que escrevi; porque eu te amei ou te fui indiferente um dia, e assim fui importante de alguma forma em tua vida; porque na colisão dos nossos acasos, um se foi; o outro ficou.
Assim sou eu, assim é o mundo; onde cada qual pensa levianamente que possui alguma importância sem se dar por conta de que não passa de um pedaço de nada. É isso... somos menos que o pó. Nossa existência existe parcialmente, e temos para o todo a importância que tem aquela formiga que agora caminha atarefada pelo teu jardim. E que razão há na vida dela? Que razão há na tua vida? E na minha? E, assim mesmo, teríamos tanto a aprender com as formigas! Me escutem quando afirmo que elas herdarão a terra!
E que importância tem a tua decepção dentre bilhões de decepções existentes no mundo? Por que ela é mais importante do que a do outro? E por que haveria de ser inferior? Mas ela não conseguiria ser maior do que a beleza e o amor, nem que fosse multiplicada mil vezes! Há de haver na vida um sentido e um propósito glorioso e indecifrável. Mas qual seria o sentido? Talvez seja mais simples do que pareça! O sentido, caro leitor, amigo, conhecido ou desconhecido, é de dentro para fora.

domingo, 4 de julho de 2010

Dicas de Auto Ajuda

Dica 1: Não se mate: Quando a vida vai mal, é comum que algumas pessoas pensem em desistir de tudo. Eu mesmo, há muito tempo atrás, já desejei a morte. Insista em viver, e você verá que a noite mais escura precederá o dia mais lindo que você já viveu. Mas só quem for capaz de atravessar a dor será capaz de reencontrar o amor, e por isso você deve insistir. Tá, eu sei que agora você não percebe isso, mas é a mais pura verdade, ok? Acredite em mim e não vá se pendurar em nenhuma corda por enquanto, porque ninguém no mundo vale isso. Além do mais, se você fizer isso, muita gente que te ama vai sofrer. O quê? Ninguém te ama? Ah, impressão sua, alguém sempre te ama, você que é cego(a) demais para perceber por causa da depressão em que está agora. Ah, esse assunto não é pra você e você está de bem com a vida? Então some daqui e vai ser feliz! O relógio está correndo...

Dica 2: Ame, e muito: Quando a gente ama, encontra um sentido para a vida e, por consequência, acaba sendo mais feliz. Ame alguém, ame Deus, ame seu cachorro, mas ame! A pessoa a quem você ama não te corresponde? Não importa! Amar é desejar que a pessoa amada seja feliz de todo o coração e com toda a sua alma. Então, mesmo se essa pessoa não estiver com você, se ela estiver feliz, tudo bem! Se você não consegue amar assim, é porque não ama! Só posso te dizer que você precisa encontrar o amor verdadeiro para ser feliz, porque felicidade fora disso é mera ilusão. Não passa de um sentimento desordenado de posse, e esse sentimento pode vir a ser muito destrutivo. Fuja se for capaz!

Dica 3: Aprenda a ouvir: Enquanto a outra pessoa estiver contando um problema, pare de pensar em coisas semelhantes que aconteceram contigo e escute! Não, a experiência dela não é como alguma que você teve no passado, por isso esqueça de você por um segundo e procure ter um pouco mais de empatia! Tente ver o mundo da forma como ela vê, e não como se você estivesse no lugar dela! Dessa forma, além de você ajudar alguém, poderá descobrir universos diversos do seu que podem ser muito interessantes...

Bom, por enquanto era isso! Se conselho fosse bom, eu vendia, mas umas dicas assim não vão me deixar mais pobre. Além do mais, há coisas que quanto mais se dá, mais se tem, e a felicidade é uma delas. Amor também. então, vamos espalhar o amor e a felicidade pelo mundo, quem sabe ele se torna um lugar melhor para se viver. O que você acha?

Ps¹: Essas dicas podem se aplicar a você, ou não. Se não, é como eu já disse...
Ps²: Se quiser cometer suicídio e se eu não consegui sensibilizá-lo, faça o serviço bem feito, ou correrás o risco de tornar-se um incômodo vegetal. Se bem que eu acho que esse risco sempre existe. Então, mais um motivo pra ti não fazer bobagem!
Ps³: Seja muito feliz, que o resto é resto!

sexta-feira, 25 de junho de 2010

Dia Sem Globo: Apóie essa ideia!

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