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sexta-feira, 2 de julho de 2010

O Fim de Uma Era


Relutei em escrever sobre futebol. Penso que todo brasileiro ficou um pouco triste hoje, e a culpa é do Dunga. Dunga, o símbolo de uma era que terminou hoje.
Dunga foi de vilão na Copa de 90, quando não fez a falta em Maradona, que acabou dando o passe para o gol argentino que eliminou o Brasil nas oitavas de final daquele ano. Estou escrevendo e lembrando os acontecimentos, e é tudo como um filme antigo em preto e branco. Por isso, não reparem se alguns eventos aqui narrados não aparecerem como na história, pois são apenas frutos de minhas recordações aliadas ao meu parco conhecimento futebolístico. Mas Dunga passou de vilão em 90 a símbolo de uma geração e uma nova forma de o Brasil jogar futebol em 94, deixando um pouco de lado o futebol arte e implementando um futebol feio, mas com resultados. Mas a era Dunga ainda não havia acabado ali, ela ficaria latente por mais um tempo, para renascer há quatro anos atrás.
Preciso dizer aqui que eu apoiei Dunga. Depois de muito tempo, finalmente vimos uma seleção com comprometimento para com a camisa que vestia. Com garra e bravura. Jogando às vezes feio, às vezes bonito, mas conquistando todos os resultados. Dunga foi, até hoje, um técnico vencedor.
Mas a culpa por estarmos mais tristes é dele. Foi ele quem nos fez acreditar que sua seleção era capaz. Foi ele que nos fez tirarmos de nossas mentes aquele Brasil de meias arriadas, que sorria e confraternizava com o inimigo após ser derrotado e humilhado por ele. Foi ele quem deu à seleção um coração de verdade - o nosso coração. Por isso é que a culpa é dele. Por onde navego aqui, vejo relatos de jovens e adultos que choraram. Eu não chorei, mas torci. Torci como há muito não torcia por uma seleção brasileira. Nem em 2002 eu senti a seleção como neste ano.
A seleção de Dunga chorou a derrota, assim como muitos brasileiros, que há muito não viam um time brigador, com direito a um Robinho gritando e apontando o dedo para adversários em campo e a um Kaká que soltava palavrões de fúria quando as coisas davam errado. Há muito não se via algo assim.
Mas a era Dunga obteve, hoje, seu ponto final. O futebol arte deve voltar às vitrines, e, com ela, muita marrentice e bundamolice eu creio. Mas vamos torcer igual. Vamos parar de trabalhar e vamos nos reunir para celebrar o futebol mais uma vez, e mais outra, e ainda outra. É a vida. É o Brasil...
E Dunga? Dunga voltará a ser o vilão. Sairá da seleção para entrar para a história: o único a ser vilão e se tornar um herói, apenas para se tornar vilão novamente. Mas eu ainda estou com ele, e, se pudesse retroceder no tempo, daria a ele meu apoio e meu voto de confiança. Afinal, futebol é vida, e nossa seleção estava morta há algum tempo...

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Amores Perfeitos

Todos sonhamos um dia com amores perfeitos. E todos pensamos um dia que amamos alguém perfeitamente. Será?
'No amor perfeito, o sofrimento não existe'. Isso foi o que disse Renato Russo em um show gravado e transformado em DVD. Era isso ou mais ou menos isso, e eu discordo. Há o sofrimento sim. Não aquele que causa a morte de quem ama, mas o sofrimento que gera vida. Para se amar assim, é preciso experimentar o fogo.
Quando o amor atravessa o fogo, este retira dele as impurezas, transformando-o em um amor puro. É um processo parecido com o que passa o ouro, que, para se tornar puro, passa pelo fogo para que se retirem as impurezas. Uma vez purificado, resta apenas o amor, e então não mais importa os caminhos por onde ele passará, ele sempre será amor. E sempre vai gerar vida, pois é só o que o amor verdadeiro consegue fazer. Sofrimento? Pode ser que ele exista, mas não estará vinculado a um sentimento de posse ou desejo, mas sim ao desejo pela felicidade daquele que se ama.
A felicidade é tão simples! O problema é que temos medo do fogo, e não sabemos lidar com ele. Ainda temos muito a aprender...

Tenham todos uma ótima vida, e um segundo semestre repleto de amores perfeitos!
Precisa de mais alguma coisa?

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Vomitando letrinhas...

[mais um devaneio produzido pelo autor deste blog...]




Acabo de ter um insight sobre parte de minha loucura. E ainda bem que o notebook estava por perto para presenciar isto. É, porque muito do que tenho ideia de escrever acaba não virando texto, porque pouco tempo depois eu já esqueci o que tinha pensado. Mas vamos ao meu insight...
Certa vez eu era uma pessoa jovem. Jovem e falsa. A falsidade consiste em você tentar parecer aquilo que não é, enganando, assim, os outros. É uma espécie de estelionato moral, sentimental e comportamental. Acontece muito, principalmente no início dos namoros adolescentes, quando as pessoas fazem aquilo que imaginam que agrada o outro em detrimento do que são na realidade. Dessa forma, acabam por induzir o outro a erro, a respeito daquilo que se é e do que se pensa - daí o estelionato. Ficou meio confuso? Não importa, então sigo...
Certa feita, resolvi dar um basta. Eu devia ter o quê? Uns dezessete anos talvez. Bom, o fato é que, enquanto estavávamos reunidos, meus melhores amigos e eu, eu resolvi expressar verdadeiramente o que sentia. Dá prá pintar uma cena dessas? O pior não foi minha decisão de fazer aquilo, mas o que eu acabei falando a todos na ocasião. Eu simplesmente disse que me sentia inferiorizado, como se eles fossem mais do que eu. Simples e rápido. Não coloquei a culpa em ninguém, obedecendo a regra número 1 para relacionamentos humanos (espero que você não tenha faltado essa aula...): nunca colocar a culpa de nossos sentimentos em outrem, pois nós somos os responsáveis pelo que sentimos. Sabe quando você tem um enjôo que parece que a única maneira de melhorar é colocar tudo pra fora? Foi o que eu fiz. Aquilo me incomodava, e eu simplesmente botei para fora.
Hoje, analisando melhor o que fiz, penso que é loucura fazer uma coisa assim. E aí reside o meu falado insight, desde aquela época é que sou meio maluco. Hoje, mais ainda, já que vivemos na era da impessoalidade e da superficialidade nos relacionamentos. Eu, no entanto, insisto em não ser assim, e em expressar aquilo que ainda sou capaz de sentir. Mas parece (e aqui faço uma ressalva de que é apenas a minha percepção) que o mundo está indo para o buraco em todos os sentidos. Olho à minha volta e vejo relacionamentos baseados em nada. Vejo pessoas vazias procurando preencher seu vazio com o vazio de outras pessoas. Vejo uma sociedade cada vez mais miojizada, irritadiça, intolerante. O que tem dentro de mim, faço questão de compartilhar com o mundo, se precisar. Meu blog é parte deste meu livro aberto a quem quiser ler. Mas o que tem dentro das pessoas? Fico triste quando não consigo ver. Elas se cobrem com muitas outras coisas que nota-se a quilômetros de distância que não fazem parte delas. Sinto o cheiro da falsidade de longe, mas não culpo as pessoas falsas. Eu entendo, já fui assim. Hoje sou mais eu, o que quer que isso signifique. Ou então elas se revestem de uma casca impenetrável, e fica impossível ver o que há debaixo dela...
Bem, desde que resolvi abrir o jogo, naquela tarde ensolarada de sábado, há uns 12 ou 13 anos atrás, me tornei outra pessoa, e fui capaz de descobrir quem eu sou na realidade. Encontrei, de relance, meu verdadeiro eu. Mas ele passou tão rápido, que não deu para perceber direito como ele era. Desde então, sempre explico às pessoas à minha volta como sou, na esperança de encontrar meu eu novamente. Mas meu verdadeiro eu é tão rápido que sempre acaba me escapando, e eu tenho que começar tudo de novo, cada vez conversando com uma pessoa diferente.
É um círculo vicioso. Um looping infinito. Eu digo a você quem eu sou. Você me diz quem você é. O teu reflexo me causa um impacto tão grande que acaba me modificando. Quem era eu mesmo? Ah, não importa mais, já sou outra pessoa. Nem falso, nem verdadeiro; apenas dinâmico, apenas eu mesmo. Vou me buscar de novo. Você pode me ajudar?

quinta-feira, 22 de abril de 2010

O Dia da Terra

Sabe o que eu acho sobre o dia da Terra? Irônico. Não acho o dia da Terra irônico, acho irônico a Terra ter um ‘dia’ a ser celebrado (ou será que uma coisa é igual à outra?). Mas penso que talvez isso seja necessário devido ao fato do ser humano ser tão descerebrado em seus tratos com ela. É como ter um ‘dia da mulher’, que também considero uma coisa meio machista. Afinal, na minha visão de mundo, todos os dias são de homens, de mulheres e da Terra também. Não faríamos mais que nossa mera obrigação como seres humanos se nos tratássemos com respeito, igualdade, e se cuidássemos do lugar onde vivemos. A Terra não precisa de nós; nós é que precisamos dela. A Terra pode viver sem nós, mas a recíproca não é verdadeira. Enfim, não vejo este dia de outra forma senão como o dia da celebração de nossa estupidez e de nosso fracasso como seres humanos. Mas não é culpa nossa, porque burrice é algo hereditário. Ao menos nesse caso, para mim é. Trabalhamos tantos tipos de inteligência, e temos tantos gênios em muitas delas. Porém, quando se trata de inteligência, ambiental somos um fracasso perfeito, e um completo fracasso. E, caso haja alguém incapaz de entender isso, minha redundância quando faço essas afirmações é puramente intencional. Mais uma parte da ironia.
Por que tantas luzes acesas? Por que tantos carros ligados? Por que tantos aparelhos na tomada? Por que tantas fábricas poluindo? Tantas torneiras abertas por tanto tempo? Tanta água potável em nossas descargas? Tanto lixo em nossas vidas? Ah... são tantos os porquês...
São equações complicadas, e ainda sem solução. Minha esperança é de que elas sejam resolvidas a tempo de evitar o fim de nossa existência por aqui. Enquanto isso, que tal comemorar?

FELIZ DIA DA TERRA PRÁ VOCÊ!



Ps: Se a Terra pudesse dizer alguma coisa neste momento, talvez ela dissesse: “Bazzinga!”


Aproveito o dia para relacionar o vídeo que postei há tempos atrás, da visita que eu e minha turma fizemos à Usina de Lixo de Passo Fundo:

quarta-feira, 14 de abril de 2010

A Anatomia do Conto

Eu assistia a um episódio final de um seriado de TV, domingo retrasado. Subitamente, surgiu uma ideia. A ideia de uma estória. Peguei o notebook e comecei a escrever o que tinha em mente, sem saber ao certo como tudo acabaria. Mas eu tinha uma ideia, e achei que fosse boa.
Claro que este conto escrito por mim pode não parecer significativo para quem o leu, mas para mim foi um verdadeiro marco. Nunca tinha escrito uma ficção antes. E nem achei que seria capaz de fazê-lo, para ser honesto. Mas eu me senti ótimo enquanto escrevia. A variedade de sensações supera o ato de ler. Na verdade, acho que para mim foi umas dez vezes mais potente.
Cabe ressaltar aqui que eu sou do tipo que entra na estória. Eu gosto da imersão, seja em um livro, num filme ou até mesmo em uma música. Não gosto de apenas assistir, ler, ouvir; eu gosto de sentir. E eu senti bastante enquanto escrevia...
Mas o grande barato no processo, eu acho, foi criar alguém. Eu poderia contar o que aconteceu com Carolina depois dos fatos narrados, e acredito que poderia fazer isso com certa exatidão, porque eu sei o que aconteceu a ela. Apenas não seria interessante escrever sobre isso. Muito menos ler...
Outra coisa: para quem leu, peço que não leve tão em conta os erros de português. Além de eu não ter me acostumado ainda às novas regras gramaticais, meu Word tem correção automática nos moldes das regras antigas. Não que eu não pudesse alterar isso, mas ainda não tirei meu tempo. Mas garanto que, um dia, eu farei uma revisão um pouco mais meticulosa. Ao menos eu espero.
E, embora eu tenha gostado realmente de escrever, não gostei do produto final. Parece que cada vez que vejo tenho que mudar alguma coisa. E quanto mais o tempo passa, pior eu avalio o texto. Sou um perfeccionista, afinal... mas outra hora escreverei sobre isso. Ou não! fikdik...


Ps: Odeio pessoas que escrevem fikdik depois de uma postagem. O-DE-IO!
Ps²: EU NÃO ME ODEIO!

terça-feira, 2 de março de 2010

Childish Feelings

Ainda me surpreendo com as pessoas. Mas, como já afirmei a mim mesmo antes, o melhor é curtir as pessoas, sem esperar nada em troca. Pensando bem, eu não disse isso antes, mas é o que eu penso afinal. As pessoas podem nos surpreender, e surpreendem. Há pessoas que pensamos serem maduras, e demonstram não ser. Exemplo: EU. Pra começar, escrever isso aqui já é passar atestado de imaturidade. Isso aqui é um lugar público, e, no fim das contas, mesmo que tenha muito poucos acessos, tem gente que acaba lendo.
Mas vou tentar traçar a linha bêbada de meu raciocínio claudicante...
Na verdade, quem mais me surpreende neste mundo sou eu mesmo. Às vezes tenho uns sentimentos tão infantis que tenho vontade de me dar um soco. E é sério mesmo. Não sei se há muitas pessoas que se socariam mais do que eu. Me surpreendo por ficar surpreso com as coisas, e com as pessoas. A verdade é só uma: as pessoas são más por natureza. Quando são boas e gentis, significa que estão vencendo seus monstros interiores. Sim, é isso! Meus monstros interiores! Por alguma razão eles despertam, e as coisas ficam difíceis. O despertar dos monstros pode ser desencadeado por vários fatores, mas, em especial pela projeção. Acho que foi a projeção que fez com que meus monstros me incomodassem tanto. Quando vejo nos outros um defeito meu, é muito difícil de engolir. Eu não aceito meus defeitos, portanto fica difícil aceitá-los nos outros. Um exemplo clássico é o coitadismo. Não suporto o coitadismo. Deixei para trás há muito tempo atrás meu coitadismo, e nunca mais fui o coitadinho. Detesto que tomem as dores por mim. Acho insuportável. Prefiro assumir o ônus de meus defeitos e de meus erros. Prefiro pagar o dobro a ver alguém tomar as minhas dores. Quando vejo alguém tomando as dores de outrem, isso desperta em mim aquele velho gatilho. Parece que é comigo, e eu detesto isso. Detesto isso EM MIM.
A solução (acho) é respirar fundo, curtir uma boa música e elevar o astral acima desses sentimentos infantis circunvizinhos. Deu certo hoje. Ao menos por um tempo.
Outra forma de coitadismo é aquela de infantilmente ficar doído por coisas bobas. No meu tempo alguém assim era carinhosamente chamado de dodói. Não combina com a idade adulta. Tanto não sei lidar com isso que minha única reação é ignorar. Sabe quando dá um branco e a gente não faz idéia do que fazer? Sou eu diante de uma situação de dodoidismo. E bem que eu queria elaborar melhor muito do que expressei aqui, mas o post tomaria toda a página, que já é bem grande pro meu tamanho.

Será melhor então deixar passar?
Não sei, e isso é tudo o que eu sei...

segunda-feira, 1 de março de 2010

Pensamento do dia

Que pode uma criatura on-line senão, entre criaturas internéticas, blogar?

Cantinho Escondido

Saudade. Que palavra misteriosa e mágica ao mesmo tempo. Carregada de um significado maior do que o dicionário lhe confere. Um sentimento melancólico, sim. Sem dúvida. Mas com significados diversos. Ou talvez não. Talvez o autor deste blog esteja novamente vendo chifres em cabeça de cavalos. A propósito, o autor do blog também acaba de afirmar que a ciência ainda não pode comprovar a inexistência de cavalos com chifres.
Voltando ao tema central, visitei três pessoas muito importantes para mim neste fim de semana: minha mãe e meus avós paternos. Os três sepultados no cemitério de Palmeira das Missões. Lembrei-me de Marisa Monte cantando: “Dentro de cada pessoa tem um cantinho escondido, decorado de saudade...” Na verdade, ouvia esta música pouco antes de chegar lá. Como é grande o poder que a música tem de nos fazer viver emoções. De nos fazer pensar nas coisas. Lembro quando tinha meus quatorze anos de idade (eu acho), e chorava ouvindo “Vento no Litoral” num radinho bagaceiro. Ah, a saudade... Até hoje quando escuto “Vento no Litoral” lembro daquele tempo, e daquele guri, algumas vezes com um nó na garganta. Não sei nem exatamente do que eu chorava, mas apenas o fato de ouvir a música me faz entrar em contato com um eu antigo, e eu vejo-o como raras vezes consigo. Saudade...
Saudade de minhas felicidades e infelicidades. De minhas vitórias e derrotas amargas. De minhas ilusões e desilusões. E, quanto mais eu penso a respeito de certas coisas, mais eu tenho certeza de que sou louco. E mais fico convicto de que a insanidade me cai bem. Não pode ser normal ter certo saudosismo por sentimentos considerados negativos. Mas deve ser porque eu não considero nenhum sentimento negativo. Sentimentos são apenas sentimentos. Nem bons, nem maus.
Mas o fato é que eu também tenho um cantinho escondido. Muito bem decorado e revisitado quando possível. Apenas um lugar para o coração pousar. Um ambiente que frequente sem morar...

Ps 1: Quando pensei em fazer esta postagem, ainda era fevereiro.
Ps 2: Não encontrei uma versão ao vivo desta música, que era a minha pretensão, então, vai esta mesmo...

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Há menos de 32 horas atrás...


Hoje aconteceu algo estranho comigo, e eu sinto que preciso escrever sobre isso. É que não consegui conversar com ninguém muito profundamente sobre o assunto, e também preciso me compreender melhor. Nada melhor que deixar as palavras fluírem para que isso ocorra naturalmente.
O lance é que hoje eu morri um pouco, e sinto ainda agora que preciso chorar por isso. Não é frescura. Nem sei o que é ou o que foi ao certo, mas tive medo. Muito medo.
Foi a primeira vez que senti um real e apavorante medo da morte. Mais que medo, tive uma sensação de morte. Nunca havia tido medo real dela, e até zombava dela de vez em quando. Mas o fato é que somos muito frágeis e sensíveis a ela. Eu, ao menos, sou.
Eu estava trabalhando em minha mesa, digitando comandos em um computador quando senti uma dor, a qual nunca havia sentido antes. De repente houve um estalo em algum lugar dentro da minha testa, um lugar próximo ao olho direito. Estaquei. Automaticamente, um formigamento percorreu minha cabeça e meus olhos perderam momentaneamente a acuidade. Pânico. Levantei e senti vertigem e enjôo, dei uns passos e anunciei: - Eu não estou bem... - e foi então que eu senti. A sensação da morte. Pela primeira vez. Desespero.
Na hora eu só conseguia pensar “agora não, agora não...”, e que queria fazer muitas coisas antes de morrer. Pensava na minha juventude e na vontade que tenho de viver. Nos planos que tenho para viver. Nas pessoas que ficariam, e no que eu queria deixar para elas. Lembrei de meu avô, que faleceu em conseqüência de um derrame há menos de um mês. Lembrei de minha mãe a morrer de um infarto fulminante ainda na metade de sua vida.
Meu chefe me chamou e me perguntou se queria medir a pressão, ir ao médico ou o quê. Médico em Crissiumal? O desespero aumentou... Ele perguntou quantos dedos havia em sua mão e que dia era hoje. Acertei as respostas e achei, finalmente, que eu poderia estar enganado. Achei que sobreviveria afinal de contas. Taquicardíaco, fui à farmácia ao lado para medir a pressão - o chefe acompanhando. Estendi a mão trêmula para que a moça envolvesse meu braço e constatasse que a pressão estava perfeita. Problema resolvido! Todos ficaram felizes! Todos menos eu. Eu ficaria pensando, como ainda estou agora, no significado de tudo aquilo.

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Sempre gostei de pensar, e acredito que já escrevi por aqui que nós morremos um pouco todos os dias para nós mesmos. Como seres dinâmicos, morremos durante todo o dia para renascermos na manhã seguinte. Sempre diferentes, novos. Mas hoje? Hoje é especial, porque eu morri mais do que de costume. Não que minha frescura fosse real, mas me senti como se fosse cruzar a fronteira. Horripilante, mas, ainda que inverossímil, uma experiência única.
Agora tenho uma vaga idéia de como me sentirei quando chegar a hora. (not!)

Mas ainda falta chorar...
Oh, God, how I wish cry...

Ps 1: Assistirei um trecho bem melancólico de algum filme que tenho para satisfazer meu desejo louco.
Ps 2: Depois do ocorrido, lembrei-me da música abaixo!
Ps 3: I can’t speak english, much less write!

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Vento no litoral...



Ventos começam a soprar, como aqueles que precedem grandes tormentas. É preciso ficar atento, pois algumas rajadas são perigosas. Chega o carnaval. Os ventos dão uma trégua. E começam novamente (dizem que o ano começa depois do carnaval). Cinquenta, sessenta quilômetros por hora. Em alguns momentos chegam aos oitenta-noventa, mas eu estou calmo, pois sei que poderia (e provavelmente será) bem pior. Não posso perder o controle, senão os ventos de duzentos e cinqüenta quilômetros por hora me esmagarão. Sim, preciso estar preparado é para estes! Os outros serão apenas brisas suaves.
Não, não é pessimismo. É planejamento. É pró-atividade (que uma vez era com hífen, hoje já nem sei). Significa tentar estar um passo à frente. Prever cenários.
Ah, que venha o vento! Que a chuva caia sobre mim tão forte e esmagadora que faça minhas pernas arquejarem! Então poderei me erguer, no meio do temporal, para desafiá-la. Para provar que ela não pode me vencer. Nem mesmo sendo dura, fria e molhada. Este ano quero correr contra os ventos fortes e usá-los a meu favor. E, tenho convicção disso, vou ficar em pé!


Esse ano quero ser idiota e confiar nas pessoas. Ser ingênuo e acreditar nelas. E, quando elas me decepcionarem e traírem, vou dar uma segunda chance, e uma terceira, e uma quarta...
Fazer o melhor porque o melhor deve ser feito. Por que é natural querer buscar a perfeição, apenas pelo prazer do que se faz. Amar de forma utopicamente incondicional e besta. Ser criança e chorar quando cair, e depois rir da queda incontrolavelmente...
Sofrer as dores com vontade, sem tentar fugir do sofrimento. Abraçar a cruz de cada dia, e ajudar os outros a carregarem as suas.
Comer menos, poluir menos, beber menos, fumar menos, trabalhar menos, e viver mais.
Ser amigo, amante, colega, amigo, marido, namorado, parceiro, companheiro, pai, padrinho, compreensivo, chato, protetor, motivador, líder e seguidor. E às vezes ser nada. Ninguém. Como aquele grão de areia esquecido e pisoteado na praia.
Não serei 8 ou 80, nem olho-por-olho, nem qualquer coisa que o valha. Serei o que precisar, quando precisar, do jeito que precisar. Ou não serei nada, se precisar.


Sim, os ventos já estão aí. 
E eu? Eu não ligo a mínima!

sábado, 20 de fevereiro de 2010

Óculos do Paraíso (parte I) (ou Loucura pouca é bobagem!)



Fui ao paraíso e voltei. Voltei para poder contar a todos que lá é bem melhor que aqui. Mas, como era de se esperar, não voltei o mesmo. Tampouco sou outra pessoa diversa da que sempre fui; apenas me foi dado o direito de ver com olhos que não são meus. Ou será que são? Não sei... funcionam como lentes de um óculos perfeito, mas poderia também afirmar com certeza que eu estava de óculos antes, e agora apenas me foi dado o direito de tirá-los. De qualquer forma, não é esta a minha maior dúvida, e sim outra: quando usar estas lentes especiais? Já tentei usar o tempo inteiro, mas minha visão começa a falhar e perco os sentidos com muita facilidade quando isso acontece. Assim descobri que devo guardá-las para apenas alguns momentos, mas quais seriam eles?
Talvez eu esteja fazendo-me a pergunta errada. Vou por partes para não me perder, se isso for possível.
- Como funcionam estes óculos especiais? - perguntei eu a mim mesmo.
- Não sei se são óculos, mas são como lentes. Sim, acho que lentes! - respondi sem saber se estava falando a verdade. Senti que precisava enrolar a conversa para ganhar mais tempo para pensar no assunto.
- Tudo bem! Óculos, lentes, seja lá o que for... como funciona? - perguntei novamente, um pouco de ansiedade na voz.
- Sinto que tudo fica mais bonito quando olho através delas [das lentes]. O céu nublado vira o dia mais bonito do mundo, e as pessoas mais mal humoradas me fazem bem. Acho que é algo assim. - na verdade, eu não sabia mesmo...
- Certo, e você já conseguiu ficar quanto tempo sem tirar essas lentes?
- Difícil dizer... a um tempo atrás, logo que voltei do paraíso, quando descobri que tinha o poder de usá-las, coloquei e fiquei um tempo sem tirar. Só que foi desagradável...
- O que aconteceu? - havia uma curiosidade verdadeira na voz.
- Com o passar do tempo, parece que elas foram “sujando”, e logo eu via como antes de colocá-las, só que com um desconforto maior, anormal.
- Interessante, mas bem estranho...
- Sim! Não é que as coisas voltavam a ser como antes, mas era como se eu não me importasse mais com aquela nova visão, a ponto de ser a mesma coisa que estar sem as lentes, mas com o agravante de que agora eu percebia muito mais as coisas ruins que as boas. - desabafei, e dessa vez tive certeza de que estava sendo sincero, o que foi estranho porque eu mesmo não sabia que me sentia daquele jeito.
- Mas você não respondeu ezatamente a minha pergunta, quanto tempo dura o efeito?
- Exatamente é com xis, não com ze! - retruquei abruptamente. Erros de português são desconfortáveis...
- Certo, certo, vou me lembrar de escrever certo da próxima vez... agora, pode responder à minha pergunta?
- Posso, mas antes, me diga uma coisa...
- O que foi agora?
- Por que na primeira vez que você perguntou tinha crase e na segunda não tinha? - disse a mim mesmo, e tinha certeza de que aquela pergunta me irritaria um pouco.
- Putz, se não sabe a resposta ou não quer falar, tudo bem, é só dizer! Pode me enganar se quiser, mas não pode enganar a si mesmo! - Falei irritado, e esta última frase me fez pensar se eu queria ou não enganar a ‘si’ mesmo.
- Ok, então. Vou responder àquela pergunta e encerrar por hoje. O negócio é que não tem um tempo determinado. Ao menos eu não acho que tenha. Se o clima está pesado demais, as lentes sofrem mais, e temo que seja por isso que o efeito não dura muito. Mas se o tempo está bom, posso ficar até uma semana com elas que está tudo bem. Uma semana foi o máximo de tempo que já tentei usá-las. - respondi finalmente, com aquela pergunta da crase ainda me incomodando.
- Certo. Então acho que é isso. Agora vou indo porque já está tarde e sua mulher está na cama me esperando.
- Como assim? Pretende dormir com a MINHA MULHER? E a MALDITA CRASE!? Por que uma hora tem e outra simplesmente não tem?
- Ah, vai estudar um pouco de português, agora não tenho mais tempo para ficar de conversa fiada. Bye!
- Volta aqui seu inútil! - mas não adiantava mais esbravejar, já tinha ido embora.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Precisando de férias



Teste de estresse: (resultado)

"A vida pode estar um pouco estressante para você. Avalie o que está ocorrendo. Veja o que está exigindo demais de sua resistência. Pode ser o mundo lá fora, pode ser você mesmo. Fortaleça o seu organismo. Utilize técnicas de relaxamento para reduzir a tensão mental e física que está sentindo. Será uma prevenção contra os possíveis efeitos negativos do estresse."

O sinal vermelho já acendeu e apagou várias vezes. Algumas delas ficou aceso por tempo demais, e percebi que minha cara expressava sinais de rancor/antipatia/nervosismo que podem ter sido evidentes demais. Não há dúvidas: necessidade de férias. Analisando alguns dos sintomas comuns de estresse, acredito que só não manifestei ainda os distúrbios da menstruação (obviamente porque não sou capaz de menstruar, é claro).
E algo me diz que os dias que terei de férias não serão capazes de curar todos esses sintomas... E eu que nunca me imaginei passando por isso antes, agora me sinto capaz de chorar assistindo a comerciais de margarina. Me poupe!

E, enquanto isso, anoitece em certas regiões...

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Please, Help the World! II (a crítica)

O mundo não precisa de ajuda. O Mundo sabe se virar sozinho. O maior mal que há no mundo é o homem. Sim, o homem espalha sua destruição pelo mundo como se fosse um vírus, sempre se reproduzindo, sempre se espalhando, sempre destruindo as células sadias. Não. Talvez não seja um vírus, mas um câncer. Ou mesmo um híbrido: um câncer que se espalha como se fosse um vírus. Totalmente fora do controle. Sim, definitivamente quem precisa de ajuda não é o mundo, não é a natureza. Dê a esta dez anos sem nenhuma interferência humana e ela tomará conta de nossas preciosas cidades feitas de concreto. Pois nem concreto, nem ferro, nem qualquer outro elemento manipulado pelo homem pode nada contra a força da natureza.
É o homem que necessita urgentemente de ajuda. Precisa aprender a coexistir com o meio em que habita, sem buscar destruí-lo em nome de um conforto com um custo muito alto para as gerações vindouras (se é que existirão muitas) pagarem. Não há capitalismo capaz de justificar o consumo linear a que a nossa geração se submete dioturnamente. Mas é um vírus. Um câncer. Uma droga eficiente e muito potente a qual nossos líderes mundiais não tem nenhum poder de resistir. Tal como a corrupção no Brasil - nunca terminará enquanto houver tantos discípulos fervorosos a seu favor, e com tantos a darem total, irrestrito e incondicional suporte: desde o trabalhador que logra o padeiro no troco favoravelmente injusto até o político que está a encher as cuecas e as meias com o dinheiro do contribuinte - nosso dinheiro.
Querem ajudar o mundo? Livrem-no dos maltratos humanos! Querem ajudar o Brasil? Livrem-nos dos maltratos dos corruptos! Para variar, comecei um texto sobre um assunto e terminei em outro. Alguém quer por favor ajudar-me e livrar-me do álcool? (por favor não!)

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Antipático por Acidente


Há algum tempo atrás, mas não tanto assim, descobri que sou naturalmente antipático. Tenho cara de nojo, de antipático, mas não é assim que me sinto. Quando fico sério, parece que estou irritado, e quando fico relativamente de bom humor, parece que sou nojento. Acho que isso é uma mistura de minhas sobrancelhas unidas com o arqueamento involuntário do lábio superior. Demorei muito tempo para perceber isso, e não é algo que eu possa corrigir tão facilmente. E, pra ser sincero, nem me interesso tanto em corrigir nada. Já ouvi elogios um tanto estranhos por conta disso, do tipo ‘eu achei que você era um fdp, mas depois de te conhecer, percebi que você é gente fina...’ e assim por diante. É claro que o cara que me disse isso estava dentro da garrafa, mas acho que valeu mesmo assim. Enfim, é chato saber que os outros te acham chato, mas às vezes isso é muito útil. Posso afastar pessoas inconvenientes sem fazer qualquer esforço, basta ficar meio sério...
É por isso que normalmente eu procuro me despir de preconceitos quando conheço alguém apenas de vista. Sou fascinado por seres humanos, suas histórias, seus dramas, suas experiências. Isso me ajuda a sair um pouco de mim mesmo e conhecer novos universos. As pessoas em geral gostam de falar, basta um pouco de incentivo, que, neste caso, é saber ouvir. E não é apenas por ouvir não, eu realmente me interesso pelas pessoas. É extraordinário como além de sermos tão diferentes fisicamente, embora parecidos em certos aspectos, sejamos tão diversos em nossas personalidades. Muitas vezes uma boa conversa supera ler um bom livro.
Mas as pessoas (não todas) não sabem ouvir. Não se interessam. Não aprenderam. Entre as muitas coisas que não aprendemos em casa, na escola, no trabalho ou mesmo com os outros, está o saber ouvir o outro. Receber a mensagem da forma como a outra pessoa pensou em partilhar não é uma tarefa simples, e requer muita prática. Em geral, em uma conversa, eu acho que consigo perceber com certa margem de acerto se a pessoa é fútil ou se apenas é mais reservada. É algo no olhar, não sei. Dizem que os olhos falam, e alguns são incapazes de verbalizar a grandeza de seu interior. É como a letra daquela música: “A riqueza que nós temos, ninguém consegue perceber”. É verdade. É um enigma. Um mistério a ser desvendado. Uma mina a ser cuidadosamente garimpada. O que está por trás da alegria? Da melancolia? O que nos impulsiona a cada dia? Difícil... O interessante é que talvez eu seja antipático por pensar nisso tudo, “e de pensar nisso tudo, eu, homem feito, tive medo e não consegui dormir”.
Falando em olhar, meu olhar também é um tanto enigmático, e nos bastidores de minha antipatia há muito mais do que me permito transparecer. E tudo isso não passa de um simples acidente, ou de muitos acidentes...

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Os Intocáveis


No fim de semana passado, mais exatamente no sábado, estive em Passo Fundo. Ao passar pelo Bourbon, fui, como sempre, dar uma bela olhada nos aparelhos eletrônicos, CDs e DVDs. Não sou do tipo que sai comprando filmes e shows em DVD a torto e direito, mas dois títulos chamaram minha atenção, ainda mais pelo preço, já que era muito convidativo: encontrei Forrest Gump e Os Intocáveis por R$ 12,90! Não pude resistir, comprei na hora! Hoje, finalmente, chegou o momento de revisitar a Chicago de Al Capone e Eliot Ness...
Eu me lembrava do filme ser bom, e de certa forma até emocionante. Um antigo filme de época. Mas não me lembrava de que era tão bom. Me surpreendi comigo mesmo ao me emocionar com cada virada que a história dava. Foi muito melhor do que a primeira vez que assisti a ele. Certos filmes parecem nunca envelhecer, e, quando ficam antigos, acontece algo semelhante a um bom vinho de uma bela adega, e saboreá-lo é extremamente agradável. A melancolia do trágico fim da menininha ‘Moço, você esqueceu sua maleta!’, como um gatilho para impulsionar tudo o que vem depois... e Al Capone. Sei lá, esse filme me deixou meio saudosista, talvez até melancólico.
Fiquei curioso para ver de que ano era o Forrest Gump, e tive outra surpresa: é de 1994! A surpresa se deve ao fato de que foi um dos melhores filmes que já vi no cinema, mas isso foi há quinze anos atrás. Eu estava na metade da jornada que já vivi até agora que estou me despedindo da casa dos vinte...
Os Intocáveis é melancólico, envelhecer é melancólico, e eu não sei ao certo como me sinto em relação a isto. Pra falar a verdade, talvez eu nem queira saber ao certo como me sinto. Por outro lado, vejo pessoas à minha volta passarem aniversários anestesiadas pela correria do dia-a-dia, enquanto envelhecem sem perceber que seu tempo está passando. E isso me faz lembrar das coisas que prometi que nunca iria deixar para trás só por ficar velho, mas que, ainda assim, foram se perdendo pelo caminho.
Bem, ao menos é bom saber disso... e viva o tocante Os Intocáveis!

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Tatuagem


Fazer uma tatuagem nunca me pareceu uma coisa muito complicada, e de fato acho que não é. Bem, de fato acabou não sendo. Mas era uma das coisas que eu nunca pensei que fosse fazer, e isso muda tudo. Não pela dor, mas era uma coisa que eu às vezes achava legal nos outros, e só. Com o tempo, fui começando a me sentir atraído e tentado a ter uma também, mas não achava que fosse encontrar algo que pudesse me retratar. Pensava sempre que depois de muito procurar, não encontraria nada e acabaria desistindo; afinal, sou um cara enjoado, pra não dizer nojento. A cidade de Crissiumal também não conta com tatuadores, o que era um desconvite para uma atitude. Foi aí que apareceu o Marcão.
O Marcão é um cara de Porto Alegre, que tatua a mais ou menos uns treze anos, e, por ter parentes aqui, ao menos uma vez por ano vem para cá. Essas vindas dele sempre acabam com muita gente da cidade sendo tatuada, e, desta última vez que ele veio, eu decidi ser uma delas. Creio que este seja o ponto chave da questão: não a dor, o desenho ou o lugar do corpo onde a minha pele seria molestada, mas a decisão. E eu estava decidido a passar por isso. Feito isso, bastava todo o resto.
Eu confesso que quando me imaginava sendo tatuado o nível de adrenalina se alterava, e eu tinha medo, mas, de certa forma, a adrenalina pode ser uma droga muito poderosa. Esta talvez seja a explicação de porque muita gente repete a dose.
O fato é que alguém me disse que aquele era o último dia do tatuador na cidade, e eu tinha de agir. É agora ou nunca. Agendei um horário para a noite, e compareci no horário marcado. Quando conheci o Marcão, não me surpreendi em nada. A mim parecia o estereótipo do tatuador: um cara grande (ele poderia ser facilmente confundido com uma porta), cabelo comprido, corpo coberto de tatuagens. Conversamos um pouco, e isso de certa forma me acalmou . Quando eu pensava em um motivo interessante para cobrir a pele, não tinha nenhuma idéia, só sabia que não queria tribal, e sim algo que pudesse dizer alguma coisa sobre mim. Procurei, procurei e acabei escolhendo uma tribal. Tribal seria mais fácil porque se não ficasse da forma ou jeito que eu quisesse, poderia mudá-la mais tarde, ou aumentá-la, com mais facilidade. Para minha surpresa, com a ajuda do Marcão, escolhi com muita facilidade. Depois disso, o resto era fácil; era só suportar a dor, e colher os resultados. No fim, quase me arrependi do desenho, acho que devia ter quase uns trinta centímetros, o suficiente para preencher a parte exterior do bíceps da altura do ombro até quase meu cotovelo, mas segui em frente. Tudo preparado, agulhas a postos, veio o som... O tilintar daquela agulha no rotor podia ser comparado com uma broca de um dentista. Não que os sons sejam semelhantes, mas a sensação é semelhante ao que muita gente descreve quando escuta a broca entrar em ação: medo. É claro que o dentista já usou a broca em mim, mas eu sempre fui muito tranquilo com relação a isso, porque nunca senti dor. Já a maquininha do Marcão me fez tremer só com o barulho. Uns quinze relatos de pessoas que disseram quase não suportar a dor passaram pela minha mente; e então eu pensei no resultado, naquilo que eu queria, e senti que sorria... Até que ele começou a abrir caminho com aquilo pela minha pele. Meu rosto se contorceu involuntariamente, revelando todos os meus dentes, mas eu agüentei firme, até que a dor se tornou perfeitamente suportável. Aproveitei cada minuto da dor que aquela agulha me proporcionou, e entendi naquilo um pouco de liberdade... É, talvez eu seja mesmo meio maluco, ou mesmo completamente louco, mas ultrapassar esta barreira e ir um pouco mais além de minha zona de conforto me fez sentir muito bem. Agora, cada centímetro da tatuagem de um dia de vida arde como uma queimadura, e estou muito feliz com isso. É algo que recomendaria a qualquer um, com toda a certeza...
Obs: A imagem é meramente ilustrativa.

terça-feira, 20 de outubro de 2009

A Morte e Todos os Seus Amigos

Em nossas insignificantes e pequenas vidas humanas há poucas verdades, realidades, certezas e saberes. Uma delas é, provavelmente, a inevitabilidade da morte. Mesmo na comunidade científica, há quem se julgue capaz de adiá-la por um longo tempo, mas não evitá-la indefinidamente. Porém, o fato é que todos os dias terminam com uma ‘morte pessoal’. Ao menos, é o que eu acho/penso/julgo/imagino que acontece. Quando o dia termina (se ele termina), vai com ele muitas alegrias, tristezas, vitórias, derrotas e tantas outras coisas mais, que acabam sendo sepultadas para renascerem no dia seguinte. E, quando o sol nasce, renascemos mais ou menos capazes de lidarmos com todas essas coisas; mais ou menos humanos; mais ou menos nós mesmos... É por isso que o autoconhecimento não é algo a ser conquistado, mas sim perseguido, já que não somos estáticos em nós mesmos. Somos seres dinâmicos em constante evolução, involução, transformação e deformação. Cheguei a esta conclusão após muitos anos desta evolução/involução/e-todo-o-resto. Hoje me dou conta de que, em minha curta, insossa e parca existência, fiz muitas coisas de que nunca imaginei que fosse capaz: algumas boas; outras, nem tanto. Mas, mais que isso, percebi que a jornada da vida é um eterno morrer e ressussitar, e que sempre há uma escolha a fazer. E essa escolha não nos fará, na maioria das vezes, sermos melhores ou piores que qualquer um, apenas faz parte de nossa vida, como a chuva que cai após um dia de sol intenso. Porém, em cada escolha há implicações, que geram implicações maiores, feito uma pedra pequena atirada em um grande lago de águas calmas. Ainda bem que nosso cérebro não está programado para lidar com todas estas implicações, ou nossa vida não passaria de um infindável e monótono jogo de xadrez, onde cada jogada precisaria ser meticulosamente pensada levando-se em conta o movimento de todos os ‘adversários’, e isso produziria uma loucura muito maior do que a que somos capazes de suportar, bem como nossos semelhantes.

São as escolhas que tomamos todos os dias que fazem com que nos tornemos mais humanos ou mais monstruosos a cada dia; e hoje eu vou dormir pensando: o que eu quero ser quando acordar pela manhã?

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Dia das Crianças

Este dia das crianças foi especial para mim. Isso porque, pela primeira vez na vida, refleti sobre o significado e a amplitude de ser criança neste dia, e refleti também sobre o que nossas crianças merecem de presente neste dia. Foram muitas reflexões, a maioria das quais não postarei aqui, mas a principal delas foi em relação ao presente que todas as crianças merecem, e ele é........ um mundo melhor! Pode parecer um comentário pseudo utópico, mas na verdade não é. Todos podemos dar às crianças um mundo melhor, e para isso basta uma boa educação. Já está bem claro para quem não é cego que nosso mundo está a beira de um colapso, já que a mãe natureza não aguentará mais por muito tempo a exploração irresponsável dos recursos naturais não renováveis. Então, para que nossas crianças possam ter outras crianças no futuro, é preciso educá-las para que este futuro possa existir, isso é, dar uma educação diferente da que tivemos. Hoje, embora concientizados, possuímos muitos vícios e hábitos de consumo difíceis de serem mudados. Penso que, se tivéssemos sido educados desde o princípio de forma diferente, as coisas poderiam ser melhores hoje.
Sem educação não haverá futuro por muito mais tempo. Pode parecer meio piegas isso, mas é verdade, ao menos é a minha verdade.
E, para terminar, escolhi um vídeo que retrata o tempo em que ser criança era um pouco diferente do que é ser criança hoje, se bem que eu sou suspeito para dizer, já que EU era criança nesta época. Fica a saudade...

Salve!

Carro Movido a Ar


Tenho assistido a vários filmes e documentários que fazem referência à destruição do meio ambiente que está sendo promovida pelo homem. De fato, este parece ser um caminho sem volta para a humanidade. O mundo como o conhecemos está acabando, e estamos todos navegando para este trágico fim como se fosse um belo passeio de fim de semana. Assistimos a filmes como "O dia em que a terra parou", "Wall-e" e "Fim dos Tempos" sem percebermos que a mensagem evocada nestes filmes são demasiado tristes para nos envolvermos muito. Mais fácil é deixar as coisas como estão. Faz tempo que tenho este vídeo guardado, tempo que pretendia postá-lo aqui, mas, não sei exatamente o porquê, nunca havia feito. Trata-se de uma invenção que poderia mudar o mundo, se este não fosse governado pelas grandes corporações. Ou seja, nunca vai haver interesse econômico em se promover um carro deste tipo, e, não havendo interesse econômico, não haverá interesse político, posto que este está subjugado àquele. O interesse econômico é que gastemos cada vez mais, e descartemos os bens de consumo cada vez mais rápido, para então comprarmos novamente, em um sistema linear de consumo que certamente nos levará à destruição. A poluição do mundo é a verdadeira arma de destruição em massa, porém, quando quisermos realmente nos livrarmos dela, poderá ser tarde demais (se é que já não é). Segue o vídeo deste extraordinário invento, enjoy!

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

A Empatia não Existe



Dentro das muitas coisas que penso não existirem, a empatia é uma delas. Eu estaria mais inclinado a aceitar a existência dos Smurfs do que da empatia. Estou começando a pensar que acredito em muito poucas coisas, e tenho muitas dúvidas a respeito delas todas. Well, voltando à empatia, o problema dela é que ela requer que nos coloquemos no lugar do outro, e isso simplesmente não pode ser feito. Ninguém pode saber ao certo a minha sensação quando como um pedaço de chocolate, por exemplo. O Ph da saliva pode interferir no sabor, eu posso ter comido algo antes que altere o gosto, e, ainda, o meu apreço por chocolate vai ser maior ou menor que o da outra pessoa. Mudando de exemplo, se alguém próximo estiver tendo um problema no relacionamento, não posso dizer que entendo como ele está se sentindo, porque para isso seria necessário que eu experimentasse todas as situações que ele experimentou, como ele experimentou, e isso é impossivelmente improvável. O que define a forma como encaramos a vida vem de uma jornada muito longa e cansativa, com muitas doces vitórias e derrotas amargas, e achar que eu entendo alguém é algo muito pretencioso neste contexto. Pessoas não sabem ouvir, pessoas não sabem entender, pessoas sabem julgar achando que sabem coisas insabíveis a respeito de tudo e de todos, sem se darem conta de que não sabem nada. Sócrates era um cara inteligente, não porque sabia das coisas, mas porque sabia o que ninguém sabia: que ele nada sabia. Isso é ser sábio: saber que não sabemos nada, que entendemos pouca coisa, e que cada um, cada um. Bem, tudo o que eu penso sobre isso daria um livro longo e chato, que ninguém gostaria de ler. Mas talvez eu ainda volte a escrever sobre isso um dia, se minha cabeça não explodir antes.

Entender o outro não é tentar se colocar no lugar dele, mas sim entender que cada pessoa é diferente, com pouco ou nada em comum.

Ps: acho que não existia a palavra insabível, mas eu gostei dela.