domingo, 29 de agosto de 2010

Significados

As coisas não são aquilo que parecem, e não parecem ser aquilo que são. E percebo que as coisas possuem muitos significados diferentes, variando de acordo com o tempo e o clima. Pode ser um disco, um filme, um livro, ou um gesto. Está tudo ali, e não está ao mesmo tempo. Existindo sem existir, por assim dizer. Não, eu não estou viajando.
Mentira, estou sim. E faz tempo que saí de mim. Faz tempo que a imagem no espelho não me reflete mais. Faz tempo que vivi.
E que perdi das coisas o medo também. Agora, não há mais medo. Nem da vida, nem da morte. Não há mais passado nem futuro, apenas um dia de cada vez. E os dias podem ser nebulosos e fumacentos, mas nem me importo. E o furacão arrebenta as coisas ao meu redor sem ter poder sobre mim. Mas ele tenta, ele sopra, sopra, sopra... e a porta continua ali, a despeito de todas as paredes que já despencaram.
Espero sem ter esperança. Luto com os punhos abaixados, e sem erguer as armas. Vivo sem respirar, ou melhor, sem inspirar. Sem inspiração...
Mas o que isso tudo quer dizer, afinal?
Nada. Isso não significa absolutamente nada...

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Falar ou não Falar...

Não gosto de falar. Não consigo falar. Todo o pouco que presumo saber se resume ao que escrevo, e isso é muito pouco mesmo. Agora, quando o assunto é falado... aí sei menos ainda.
Me enrolo nas palavras e tropeço nelas. No fim, prefiro o silêncio.
Mas nem sempre fui assim.
E talvez a blogosfera tenha sido o que me causou isso. Eu costumava ter a habilidade de expressar aquilo que pensava e sentia, mas agora sinto que sei apenas escrever. E isso não é tudo. Isso não é nada. Não, isso é nada, ou talvez menos.
Mas sinto e percebo meus pensamentos como se eles estivessem escritos. Admiro quem consegue falar. Admiro muito. Ainda pretendo ter o meu vlog um dia, mas isso requer muito treino e concentração. E tempo é o que menos tenho para tal agora.
Meus desejos de palavras faladas irão provavelmente para aquela pilha de "coisas que eu vou fazer um dia", que no momento está atirada num canto escuro de um armário mofado e feio, um canto de mim. Ou talvez eu seja assim mesmo - uma conjunção de coisas feias que tentam parecer belas a quem observa desavisadamente. Um homem mau que tenta ser bom.
Mas daí eu começo a pensar que somos todos assim - o que talvez seja mais uma armadilha da minha mente, tentando fazer os outros se parecerem com o que sou. Nos finalmentes, fica tudo no zero-a-zero, porque aquilo que sou, aquilo que penso ser, e aquilo que os outros vêem em mim de nada serve. De nada adianta. De nada é feito. E ao nada voltará um dia...
E esses estranhos e entrecortados pensamentos sim podem dizer algo 'verdadeiro' a respeito do que sou, ou ao menos de como me sinto: estranho e entrecortado. Pedaços múltiplos de muitas vidas, costuradas a esmo nesse ser que ora escreve, porque não pode falar...

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Música (n+1)

Música boa. Voz excelente (no vídeo nem tanto...). Simplesmente Amy Lee...
Boa semana a todos...


Ok, a voz dela àquela altura já não era das melhores, mas a música é lindona...
Confira o clipe aqui (não consegui incorporar à postagem).

domingo, 22 de agosto de 2010

Retratos do Passado

Tem algumas coisas que não voltam mais. Nunca voltarão. Houve um tempo em que tirávamos fotos não para colocar no Orkut, mas para guardarmos de recordação. Era pessoal. Não existia câmera digital, então tirávamos as fotos e nunca sabíamos como elas ficavam até podermos revelá-las, o que acontecia somente depois de terminarmos o filme, que tinha ora 12, ora 24 poses (nunca comprávamos os maiores[não que eu me recorde...]).
E olhar velhas fotos nos remetem a tempos que não voltam mais. Pessoas que já não existem. Lugares aos quais nunca poderemos voltar. De certa forma, é triste. É a vida. Um dia também seremos apenas lembranças em uma foto manuseada por outrem, digitalmente ou não.
Seremos apenas velhas fotos.

Na verdade, já sou, em parte, velhas fotos. Fotos de fatos que representam aquilo que fui um dia. Fatos de um eu-que-já-morreu.

E, para 'comemorar' isso, resolvi deixar neste lugar, três dessas imagens. Imagens de mim, pedaços de mim.
Algo que talvez eu tenha sido, em um lugar muito distante daqui...




Foto 1 - Dos tempos em que eu ainda tinha uma mãe...
Foto 2 - Para provar ao mundo que um dia já fui bonito.
Foto 3 - Para tentar parecer que um dia já fui estudioso.

A quem passar por aqui, um abraço.
E tenha uma excelente vida...

sábado, 21 de agosto de 2010

Ausência II


Eu já não estou aqui - me mudei para outro endereço. Estou fora da área de cobertura, e ausente de mim mesmo. E a verdade é que nas entrelinhas estão todas aquelas palavras que se perderam no limbo lamacento de mim, e eu não quero entrar lá para buscá-las. Está frio demais pra isso. Ficarei aqui, enrolado em um cobertor quente, à espera de que um vento norte me traga uma ou outra de volta.
E quem sabe com elas eu também consiga retornar a mim mesmo, antes que a escuridão apareça...

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Nos meus olhos...


Ele ficou me encarando. Ali, imóvel. Não, não era o espelho, era apenas uma foto.
Uma foto minha.
Me encarando, enquanto me julgava, condenando-me um sem-número de vezes por muitas coisas que fiz ou deixei de fazer. Por frases ditas e silêncios moribundos. Recriminando-me por tudo o que eu era, sou e hei de tornar-me um dia.
Ele apenas ficou ali. Uma imagem congelada no tempo. Alguém que já morreu há séculos atrás. Um vampiro. Um natimorto. Um aborto da natureza. E ele não pára de me olhar...
Mas eu também o olho. E o vejo. E percebo muitas vidas, muitas mortes. Muitas esperanças e muitas derrotas. Está tudo ali, naquele olhar castanho, daqueles mais comuns que alguém pode ter. E percebo como ele é tudo e nada ao mesmo tempo. Talvez ele seja um morto-vivo, à espera de me devorar o cérebro através de meus sentimentos. Esperando para desferir palavras mudas, carregadas de dor e malícia, que só ele tem.
Mas ele é assim. Eu não. Eu me mudei.
E já não estou mais aqui...

Um Olhar Para o Futuro


Roberto percebeu cedo da manhã que Sandro estava diferente. Parecia que havia algo faltando nele. Algo que não se encaixava. Como os dois eram quase como irmãos, além de colegas de trabalho, Roberto foi ver o que havia de errado.
- E aí, o que você tem?
- Nada. - Respondeu Sandro, obviamente desviando da pergunda.
- Escuta, Sandro - Roberto abaixou a voz - somos amigos há muito tempo, e eu quero saber o que há de errado.
Sandro pensou um pouco, antes de dizer:
- Tudo bem, não tenho porque esconder de você... venha até aqui atrás.

Sandro encaminhou-se à uma sala vazia do escritório. Roberto no seu encalço.

- Estou realmente muito excitado por isso, e um pouco triste também. - Disse Sandro. Roberto abrindo um enorme ponto de interrogação em sua cara. Sandro continuou:
- Eu vi o futuro!
Roberto fez um ar de surpresa incrédula, erguendo uma de suas sobrancelhas grossas.
- É verdade, cara! Eu vi!
- Como?
- Ainda não sei direito. Foi como um sonho, mas eu não estava dormindo. Eu estava deitado, pensando, e de repente aconteceu. De repente me vi deitado em minha cama. Como se estivesse fora de meu corpo, sabe?
- Sei. - Roberto não estava convencido. Nem um pouco.
- Então foi tudo muito rápido. A imagem toda se moveu, e eu ainda me via, mas agora eu estava mais velho. Então vi a data em um jornal que havia sobre a mesa, e percebi, entendi, que estava no futuro!
- Cara, acho que você sonhou. Será que não? - Roberto acrescentou o ‘será’ após perceber a cara de reprovação que Sandro produziu.
- Você não está entendendo... eu realmente vi o futuro. Não sei como, mas estive lá. E o motivo porque estou assim é que não gostei muito de como me vi lá. Eu era um velho triste. Solitário. Sem amigos, sem família. Só de me ver ali, tive vontade de chorar...
- Cara, não leva isso a sério. Isso pode ter sido apenas a tua imaginação. Além do mais, todo mundo aqui gosta de você.
- Na verdade, Beto, depois do que vi, sinto que nada mais importa. Queria poder dormir agora e só acordar depois que tudo passasse...
“Eu vi o que acontecia até chegar naquele ponto. Foi tudo muito rápido, quase de relance, mas eu vi. E sei que vai acontecer. Sinto isso chegando, e não quero passar por isso.”
- Sandro, desencana e aproveita tua vida. O futuro não está escrito em pedra, você faz ele todo dia...
- Não, Beto. Eu sei. Eu vi.
E saiu, deixando Roberto para trás.

Tempos depois, Sandro morreu, antes de chegar aos 40. Infarto, foi o que os médicos disseram. Mas a verdade, e só uma pessoa no mundo sabia disso, é que não foi o coração que o matou, mas a falta dele...

domingo, 15 de agosto de 2010

Porque o céu é azul, me faz chorar...

Porque o céu é azul...

Porque essa música toca em um ponto de mim que me faz querer chorar...
Não sei por quê. Não há por quê. O porquê, nestas horas, deixa de ser importante.
E é como se todas as coisas que existem ou não pudessem se transformar em poesia.

Escuto essa música e me vejo solitário, em um dia frio e nublado, onde nada existe. E fico confuso, porque o céu é azul, porque o vento está soprando, porque o mundo está girando...

E o que é o amor?

O amor é você...


[Esta música e esta cena são do filme 'Across The Universe', um dos poucos filmes musicais que me encantaram. O visual do filme todo é lindo, e ele acontece em cima das letras das músicas dos Beatles. Revi esses dias atrás e baixei a trilha sonora - as versões são ótimas. Duvida? Assista o clipe aí de cima...]

[E enquanto isso seguirei minha viagem por entre sentimentos e pensamentos...]

Selo de Qualidade

O blog Rainha do Drama, da Juliana, presenteou este blog com o 'Selo de Qualidade'. Muito obrigado à Juliana e a todos os que acompanham este blog!




As regras para receber o selo são simples:
- Indicar 9 blogs.
- Avisar os Blogs de que foram indicados.
- Escrever 9 coisas sobre mim.


Meus indicados:

É isso aí, pessoas, vocês merecem, e por vários motivos...
Desculpe aos blogs de que gosto e que ficaram de fora, só tinha 9 espaços aqui.

Sobre mim:
  1. Trabalho em um banco, onde sou gerente de relacionamento.
  2. Sou extremamente antipático 'ao vivo'. Na minha opinião...
  3. Sou tímido, mas isso geralmente não me impede de fazer nada, exceto cantar em público.
  4. Queria ter olhos claros.
  5. Sou chato para escrever - tenho certa aversão a erros de português. Meus, não dos outros.
  6. Me orgulho muito de ser gaúcho. Com acento e tudo.
  7. Não como as unhas, mas os dedos. O violão me deixa com calos...
  8. Prefiro cerveja a whisky.
  9. Sou extremamente autocrítico. Há mais de 30 textos salvos no PC que considero muito ruins para publicar.
Bom, isto é um pouco de mim. Há um pouco mais sobre na postagem do selo 'Blog Bipolar', logo abaixo. E sabe que eu estou até gostando de falar sobre mim? (...)

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Em branco. Mas não por muito tempo...

Uma folha em branco. Não há nada nela, e ela está bem na minha frente. Fico olhando para ela, e ela parece retribuir olhar. Seria isso possível?
Não sei. Não pretendo descobrir. E penso na minha vida - ela também é uma folha. Não mais em branco, há muita coisa escrita. Algumas estão riscadas de modo que nem consigo mais entender. Taxado. Taxado duplo. Palavras escritas por sobre outras.
A folha dá a impressão de que posso escrever o que quiser, mas isso é apenas um engano. E, mesmo que me atrevesse a tal ponto, ninguém poderia entender se eu não escrevesse corretamente. Existem regras para escrever. Regras de ortografia - e estou preso a elas. Gosto das regras. Adoro a gramática. Claro que erro de vez em quando, mas nunca propositadamente. É curioso errar. Engraçado o que alguns erros produzem.
Eles geram novos significados para alguns pensamentos escritos.
Eles geram alguns pensamentos para novos significados escritos.
Eles geram pensamentos escritos para alguns novos significados.
E o que dizer da pontuação, então? Ah, poderia passar horas entrelinhando sobre ela.
E, enquanto isso, a folha ainda está a minha frente.
Mas não mais em branco...