segunda-feira, 18 de junho de 2012

Miojo

Escrito há uns dias atrás, por detrás de uma neblina espessa de uma noite chuvosa de inverno...



Fiz um miojo. Mas não foi um simples miojo, foi um 'miojão'. Não foi minha culpa, é que eu sou assim mesmo - Miojo. Sou fast. Bem, talvez eu nem seja, mas me considero assim. Rápido. Prático. Sem graça. Se algo é extremamente difícil costuma ser demais pra mim. A não ser quando eu encasqueto (se é que essa palavra existe (se é que, essa palavra existindo, se escreve dessa forma)). Sou teimoso também. Será que alguém já imaginou um miojo teimoso? Eu sim; eu sou. E nem me acho um imediatista, ou nem me achava - sempre fui de me achar paciente. De ver e rever; virar e olhar novamente do outro lado. Agora não, agora parece que só enxergo o lado de cá..
E tem dias que é maravilhoso olhar o lado de cá. Outros dias, no entanto, são tão cinza-escuros que fica difícil ver as cores. Resta a fé. Dizem por aí que a fé é uma certeza a respeito do que não se vê. Então, nos meus invernos interiores, devo simplesmente acreditar que as cores estão aí, e torcer para o sol aparecer para que eu consiga vê-las novamente.
Enquanto isso espero. Fazendo miojos teimosos...

segunda-feira, 4 de junho de 2012

Paradise


Paradise. Em inglês, paraíso. Paradise não sai da minha cabeça. Acho que vou surtar. Não, acho que já estou surtado. É como uma droga, sabe... toda a vez que fecho os olhos – meus pés saem do chão. É estranho, mas belo. 

E agora, não só quando fecho os olhos, mas quando caio em mim. É bom. E eu sei que não é pra sempre. Diz a canção que o pra sempre, sempre acaba; mas eu não ligo. Alguns chamam a isso de euforia, bipolaridade ou mania. Eu chamo de whooooooaaaaahh! Meu geronimo particular. Assim mesmo, sem o acento circunflexo no ‘o’: geronimo.

É como eu chamo aquele lugar que há em mim – e há em cada um de nós – onde os pesadelos acabam e os sonhos tornam-se sólidos. É a glória.

E eu sei que Tenório entenderia exatamente o que quero dizer...

segunda-feira, 28 de maio de 2012

Sobre Qualquer Coisa Que Sei Sobre Mim...

Posso amar e posso ser amado. Acho que isso é a melhor coisa que alguém já inventou: o amor. Acredito que esse alguém seja Deus, e quem duvida de mim não pode provar o contrário... então, sigo acreditando.
Meio estranho rechegar assim de susto e largar uma coisa assim no blog. A tradição manda que eu dê alguma explicação do porquê de estar tão sumido do blog e por tanto tempo. Mas a tradição não tem poder sobre mim, então eu ignoro o protocolo e deixo as palavras acontecerem; afinal, palavras são só palavras. Ou será que não? Ah... você sabe que não, assim como eu também sei. A palavra pode ser qualquer coisa. A palavra é tudo o que existe ou já foi criado; a palavra é a morte e a vida. É a ressurreição de um blog moribundo. Pela palavra Deus criou o mundo, segundo a Bíblia; e, concordando ou não, todos hão de concordar que isso é muito poético. E na vida de muita gente eu vejo faltar a poesia; a palavra; o amor. Tente colocar amor em tudo o que você vê, e passará a ver coisas diferentes das que sempre vê. A gente vê, mas não enxerga. Olha e finge que não vê. Enxerga e finge que não sente.
Posso amar e ser amado. Eu tenho esse poder. Todo mundo tem. Pouca gente usa.
Eu amo amar. Amar faz com que as outras pessoas sintam-se bem, e eu gosto de fazer as outras pessoas sentirem-se bem. Se sou bem sucedido, é outra história... até onde entendo a vida, são nossos atos que nos definem, e não nossos pensamentos. De que aproveita o mundo se eu penso muito e não faço nada? Que tipo de ser humano eu seria? E o que dizer daqueles que pensam uma coisa e fazem o contrário? Hipócritas? Não, eles são apenas descuidados. Hipocrisia seria, em tese, pregar uma coisa e fazer outra. Isso numa concepção minimalista. Fingimento, falsidade, mentira. Acho que cabe tudo isso, só que é impossível mentir para si mesmo. Enganar a si é como desviver... é fantasiar. Há quem prefira isso a uma vida de verdade; eu não. Eu gosto é do sentir, do falar e do fazer. Eu gosto de amar e de escrever.
Mas gostar não é fazer...
Nesse tempo afastado do blog, nunca larguei as linhas. Tive longas e duras conversas comigo mesmo. Algumas permaneceram apenas em minha mente, e outras estão arquivadas em algum arquivo digital qualquer. Não importa.
Talvez viver seja amar, e talvez seja experimentar, aprender e escolher caminhos. Escolhemos caminhos todos os dias, desde que nascemos. E nascemos de novo todos os dias, aprendendo a refugar o que não gostamos e nos faz mal e a querer mais o que é gostoso e nos faz bem. Se soubermos fazer isso todos os dias, a tendência é de nos tornarmos pessoas mais fortes.
Mas (e quase sempre há um mas em tudo), as coisas não são tão simples quanto parecem. Sempre pode aparecer em nossa vida um estelionatário, tentando induzir-nos ao erro a fim de obter de nós qualquer vantagem que, mesmo não sendo ilícita, não é sua por direito (e aqui vou afirmar, sem dar exemplos, que é possível apropriar-se de algo que não é seu por direito sem cometer ilícito).
E acho que já escrevi por demais palavras desconexas por uma semana inteira, como é do meu feitio. Mas quem me conhece sabe que sou assim: desconexo, impaciente, prolixo, reticente. Um homem de poucas ideias e muitas antíteses. Ao menos assim é que enxergo do meu lado do espelho

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Diário de um Sociopata #1


Um amigo disse que seu amigo tinha um blog. Acho uma besteira esse negócio de blog. Pra falar a verdade, acho que tem gente que se expõe demais. Gente que fala coisas que ninguém quer saber, sobre assuntos pra lá de banais. Natal, por exemplo. Dei uma fuçada na internet e achei dezenas, talvez centenas de postagens falando sobre Natal. E quem quer saber? Quem é que vai ler aquilo? A mãe, o pai, o irmão e uma tia solteira e louca. Mas sabe que achei interessante o que meu amigo disse sobre ter um amigo que tem um blog e pensei: 'taí uma bela oportunidade...' Isso porque senti vontade de poder dizer umas palavras anonimamente. Então combinei com esse meu amigo de mandar um e-mail para o amigo dele e ver se ele postava o que escrevi, e eis aqui a carta! Isso se ele resolveu postar mesmo, né?
Well, isso aqui é só meio que um teste; uma introdução. Se houver mais, enjoy!

E até a próxima!

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Blogs, Jobs e muitos pontinhos...

Eu olho os pontos - sei que há alguma coisa, algum desenho, escondido ali. Pego o lápis com minha mão ansiosa e imprecisa, e começo a conectá-los. Mas parece haver algo errado, então eu pego minha borracha e apago, para começar a ligar tudo novamente. Na segunda vez é mais complicado. Erro de novo, mas fica cada vez mais difícil apagar. Umedecer a ponta da borracha é uma estratégia arriscada, mas que pode dar certo. Pronto, foi difícil mas já é possível recomeçar. Não como antes, é claro, a folha fica cada vez mais danificada. Já no quarto ponto de um total de cerca de cinquenta, erro de novo. Minha vontade é de pegar aquela folha cheia de pontinhos e rasgá-la em mil pedaços.
Então ela chega por trás de mim, olha para meu futuro desenho e pergunta:
- Alguma coisa errada?
Dou uma risada irônica e nervosa e respondo. Minha voz é um grito sufocado, quando esgueira-se por meus dentes cerrados, para dizer:
- Tudo!
Ela me olha com um sorriso no rosto, daqueles que faz tudo o que há de ruim no meu mundo ir embora. Sua voz é como música, quando ela me fala:
- Não seja bobinho, está ficando lindo!
Eu olho para ela, olho nos olhos dela, e vejo que ela está sendo sincera. Está realmente lindo, aos olhos dela.
- E de que exatamente você gostou? - Agora eu também estou sorrindo, e já consigo falar como uma pessoa normal.
 - Gostei de tudo, mas achei esse detalhe aqui maravilhoso. É diferente de tudo que eu já vi.
Ela acaricia o papel exatamente em sua cicatriz, o ponto onde quase o furei de tanto apagar. Ela acha lindo. Não, maravilhoso. Eu via apenas algo horrível e imperfeito...
Ela sai da sala, deixando-me a sós com minha folha de papel. Eu olho para ela, mas nada vejo - meu olhar está perdido no infinito de meus pensamentos. Quando retorno a mim, vejo algo completamente diferente do que havia ali. Vejo algo bonito...



Um blog não deixa de ser um livro. Ao menos eu vejo meu blog quase como um livro. Talvez uma mescla entre livro, diário e ideias. Ah, e eu tenho tido muitas ideias, embora elas não saiam da minha mente para o computador sem que em precise escrevê-las. Isso sim eu acho que seria uma revolução: você pensa nos posts e eles aparecem! Bem, mas como ainda não é assim, minhas ideias vem e se vão. O pior é que até eu, que sou provavelmente o maior crítico de mim mesmo, considero algumas ideias boas, e ainda assim não as escrevo. Passam-se datas, fatos, notícias... enfim, a história acontece ao meu redor e eu nem estou aí. Ou melhor, eu estou aí; não estou é aqui. E o principal motivo pelo qual eu estava sempre aqui é que aqui eu vejo-me como sou, ao menos em parte. Tenho uma ideia melhor de mim. Puxa, nem há como explicar o que quero dizer com isso sem tornar-me muito repetitivo. O que posso dizer é que não vejo muita vantagem em escrever sobre algo que sou hoje, se amanhã serei outra pessoa. A única vantagem que talvez exista por trás de tudo isso é traçar uma linha do tempo que me permita "ligar os pontos", como disse o mestre Steve Jobs. Replicando o que ele disse:

"Você não consegue ligar os pontos olhando em frente; você apenas consegue conectá-los olhando para trás. Então você tem que confiar que os pontos irão, de alguma forma, se conectar no futuro. Você tem de acreditar em algo - nas suas vísceras, no destino, na vida, no karma, que seja. Essa abordagem nunca me decepcionou e tem feito toda a diferença na minha vida"


Quando vi essa frase a primeira coisa que veio à minha mente foram aqueles jogos antigos de criança do tipo de ligar os pontos. A gente ligava os pontos ordenadamente, e no fim aparecia um desenho. Eu ficava ansioso quando via aqueles pontinhos com números ao lado. Tinha que saber que desenho havia 'escondido' ali. E não tinha como saber o que havia ali sem ligar todos os pontinhos. Fui crescendo, e aquelas brincadeiras perderam a graça depois que me tornei capaz de antever o desenho escondido. Portanto, acho que o ato de escrever aquilo que sou, penso e sinto faz com que eu seja capaz de ver o trajeto que segui até aqui. Só que Jobs foi um visionário, um homem (e eu não tenho o menor constrangimento em usar clichês aqui) muito à frente de seu tempo. Eu sou um homem muito atrás de meu tempo, por isso não tenho a pretensão de ser capaz de ligar os pontinhos - nem de conseguir ver o 'desenho escondido' neles.
Por fim, já fazia algum tempo que não mais aqui escrevia, e já sentia saudades. Adoro escrever. Escrever faz com que eu desocupe minha mente. Mas talvez eu venha a escrever sobre isso outra hora.
Ou não...

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Every Teardrop is a Waterfall

Apenas para demonstrar o quanto gostei desta música, e o quanto esta banda é relevante para mim, deixo-vos mais uma música do Coldplay, que dá nome a esta postagem. Assim sendo, após tanto tempo "sem escrever", uso da música para retornar novamente, pleonástico como sempre...


quarta-feira, 17 de agosto de 2011

A Morte de Tenório


E então ele morreu.

FIM!


Ok, muita coisa aconteceu até ele morrer. Mas o caso é que estou tentando escrever sobre a morte dele para um concurso de contos, então não posso dizer contar como ele morreu neste espaço. Isso invalidaria o conto e eu seria sumariamente desclassificado. Mas depois do resultado, postarei aqui, é claro...

domingo, 7 de agosto de 2011

Tenório (Parte 5: FINAL)



Ele gostava muito de Ana, mais do que achava que gostava. Na época dos acontecimentos aqui narrados ele ainda não sabia que ela teria um papel fundamental em sua vida, pouco antes dela terminar. Ana lhe daria uma missão, ou algo assim. Digamos que lhe daria um motivo para viver. Ou um sentido para sua vida, podemos dizer.
Agora, porém, Tenório apenas buscava ter a intimidade que sempre desejara com Ana. Ou seja, desejava levá-la para sua cama.
- Minha nossa, Tenório, o que eu posso fazer por você?
- Quero um abraço, se não for pedir muito. - Disse Tenório, pondo-se em pé.
- Claro! Vem aqui, vem! - Ana levantou e estendeu os braços na direção dele.
Era tudo o que ele queria. Agora era só não errar o bote. Ele abraçou-a com todo o corpo, envolvendo-a como se ela fosse um enorme travesseiro. Apertou-a contra si e deitou o nariz em seu pescoço. Percebeu que a respiração dela alterou-se instantaneamente - ia ser agora. Tinha de ser...

E foi.

Ana pegou no sono pouco depois que fizeram amor pela segunda vez. Eram mais de duas da manhã de sábado, e Tenório decidiu que não dormiria. Acompanhou o sono da bela Ana, com um sorriso de satisfação no rosto - um sorriso que nem a morte poderia desfazer. Por uns momentos, foi como se nada de ruim pudesse se colocar entre ele a aquela linda mulher a dormir em sua cama.
Levantou-se.
Procurou pelo quarto, ajudado pela pouca claridade que entrava da janela, por um antigo maço de cigarros. Encontrou-os e foi para a varanda. Riu sozinho ao ver os avisos de advertência no verso da caixa. “Como se importasse” - chegou a dizer a si mesmo.
A noite estava agradável. Ele sentou-se à frente de sua casa e acendeu um cigarro. Fazia muito tempo, talvez uns cinco anos, que tinha parado de fumar. Nas primeiras tragadas sentiu sua cabeça girar - não estava mais acostumado à nicotina e às outras mais de quatro mil substâncias tóxicas que havia no cigarro. Começou a pensar, mas não voluntariamente. Apenas deixou sua mente vagar. Milhões de pensamentos e sensações o invadiram em poucos minutos. E cada pouco vinha em sua mente Ana. O sorriso de Ana; Ana dormindo; o jeito de Ana; os cabelos de Ana; o corpo de Ana... De onde vinha tudo isso? - Tenório não sabia.
Resolveu voltar para a cama - sentia necessidade de vê-la. Tocar nela, estar com ela...
Embora não quisesse dormir, não pode manter-se acordado a noite inteira. Seu corpo não aguentou e ele caiu em um sono profundo. Porém, antes de dormir, muitos outros pensamentos e insights aconteceram na mente transtornada de Tenório, e, ao que tudo indica, o que ele pensou naquela noite determinou a forma como ele morreu. Ou melhor, influenciou na maneira pela qual ele escolheu morrer.
Mas isso já é assunto para uma outra história...

sábado, 6 de agosto de 2011

Tenório (Parte 4)


Tudo o que fazemos e pensamos acontece dentro de um espaço de tempo. Existem aparelhos capazes de medir precisamente o tempo que decorre entre o início de um acontecimento e seu final - são chamados de relógios. Eles podem medir com precisão, por exemplo, quanto tempo um atleta leva para percorrer a distância de cem metros, entre outras coisas.
Há vários tipos de relógios, mas todos marcam o mesmo tempo. E o fato de existir um relógio para marcar o tempo pode fazer com que este mesmo tempo pareça virtualmente maior ou menor, dependendo da situação.
Tenório, por exemplo, não tinha tempo, pois logo iria morrer. E sabia disso. E o fato de ele saber disso fazia com que o seu tempo se passasse ainda mais rápido, embora fosse o mesmo tempo que transcorria para Ana. A diferença é que Ana, por sua vez, não via o tempo passar, tão atolada que estava; imersa em seus próprios dias...
É bom ressaltar que outro problema temporal pelo qual Tenório passava lhe era extremamente cruel: a sós com uma linda mulher, ele precisava de tempo para inventar uma desculpa plausível do porquê de haver um Viagra rolando pelo chão de sua sala.

Tenório teve a impressão de que estava ficando vermelho. Bem, talvez roxo de vergonha. Amaldiçoou mentalmente o jeans velho que estava usando. Como não tinha percebido que o bolso estava furado?
Parecia que o ar sumia dos seus pulmões e seu estômago deslocava-se dentro de sua barriga, enquanto assistia ao Viagra caído de seu bolso girar no chão, ao lado de seu pé, sob o olhar desconfiado de Ana.
- O que é isso? - Perguntou ela, enquanto inclinava-se para frente para colher o Viagra com uma das mãos.
- Isso o quê? - Tenório respondeu, enquanto repetia o gesto dela, inclinando-se e ”acidentalmente” esmagando o comprimido com a sola do sapato.
- Ops! O que é isso? Puxa, acho que era um remédio... Quero dizer, era o meu remédio!
- Remédio? - Pelo tom da voz de Ana, ele percebeu que ela devia estar levemente desconfiada.
- Sim! Puxa, que azar, esses remédios custam uma fortuna! Deve ter caído do meu bolso. - Explicou ele. E era verdade: o remédio era caro mesmo; uma fortuna, na avaliação de Tenório.
- Você não tinha me dito que tomava algum medicamento. Este vinho não corta o efeito? - Ana tentava educadamente encontrar uma forma de ele contar que pílula era aquela. Tentava não ser invasiva demais.
- Olha, Ana, acredito que deva cortar um pouco. Só que aqui, com você, sinto-me bem como não me sentia em sei lá quanto tempo, sabe? Então acho que não me faz tanta falta agora. O remédio, quero dizer. Tanto que até tinha esquecido de tomar.
- Que bom... fico feliz de estar aqui com você também. A gente precisa disso de vez em quando...
- Nem me fale! Fazia muito tempo que não me sentia tão bem sem usar esses remédios para levantar o humor! - Disse Tenório, enquanto dava um risinho nervoso e tinha a sensação de sentir um calor estranho, inconveniente e repentino.
- Ah, são para levantar o humor?
- Sim! É que meu médico não me deu boas notícias ultimamente. Aí me mandou em um psicólogo, que me receitou isso.
- Engraçado... que eu saiba psicólogos não podem receitar medicação, só psiquiatras.
- Ahm, bem... é que ele é meu amigo, e conseguiu que um colega dele, psiquiatra, emitisse a receita, sabe...
- Ah, que sorte a sua!
Tenório tentava contornar a situação embaraçosa na qual havia se metido. E agora? Tudo estava ruindo. Indo por água abaixo. Ana poderia levantar, agradecer e ir embora a qualquer momento. Não! Ele não deixaria isso acontecer. Não esta noite. Já que não lhe restava tanto tempo, resolveu tomar medidas drásticas e ativar o “plano D” - de desesperado.
- Ana, eu não pretendia te contar isso, não esta noite. Mas é que eu vou morrer.
- Ah, eu também vou...
- Não, Ana, você não entendeu. Quando falei das más notícias que o médico me deu eu me referia a isso. Vou morrer logo. Muito logo.
- Puxa, Tenório, como assim? Mas o que...
- Não, Ana, não me faça mais perguntas. Só queria que você soubesse e visse que sou um homem diferente agora. E achei que poderíamos passar bons momentos juntos. É isso que quero para minha vida, entende? Viver ao máximo cada segundo. Aproveitar tudo, pois amanhã posso não estar aqui.
A expressão de Ana mudou, e agora que ela parecia seriamente preocupada ele aproveitava-se disso para fazer-se de coitado e tentar levá-la para cama de uma vez por todas. Enquanto falava, ele chegou mais perto dela e tomou sua mão. Agora ele precisava dar o golpe final, e tudo daria certo.
Se é que seria tão simples e fácil assim...