quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

Uma Vida em Terceira Pessoa


Não é segredo pra ninguém que eu curto escrever. Se você me conhece e ainda não sabia disso, foi apenas porque nunca me perguntou. Até entendo, pois eu mesmo nunca cheguei em um amigo ou conhecido de longa data e perguntei:
- Você gosta de escrever?
Não. Não é o tipo de coisa que se pergunte a alguém. Mas o que estava dizendo, e aqui retomo, é que gosto tanto de escrever que sempre o faço em um momento ou outro do meu dia. Do nada, pá! Estou escrevendo. Só que nem sempre escrevo em papel. Leia-se: nem sempre escrevo em lugar algum. Há inúmeras situações em que imagino um desfecho diferente para coisas corriqueiras do cotidiano. Qualquer situação mesmo. Estou lavando uma faca na pia e, acometido de um mal súbito, desmaio sobre ela e sangro até a morte. Tudo bem, estou exagerando, é raro alguém morrer nas minhas histórias. Tudo bem, estou mentindo, na maioria das vezes alguém morre nas minhas histórias. E o exemplo que dei foi o mais esdrúxulo que eu poderia ter encontrado. O lance é que quando vejo algo acontecendo, fico me perguntando como seria se tivesse sido diferente, e aí escrevo uma história na minha cabeça, e ela nunca vai entrar no papel.
Nos meus tempos de criança eu gostava de me imaginar dentro de um filme de suspense estilo Alien: o oitavo passageiro, sozinho pelos dutos escuros de uma nave no melhor estilo anos 80, com um detector de movimentos me colocando em sucessivas enrascadas. Passava tardes exterminando monstros alienígenas ou sendo caçado por eles.
Depois, nos meus tempos pré-aborrecência, pegava caminhos ermos e escuros para voltar para casa quando já era tarde da noite. Ruas e becos de pedra-brita, onde só o que dava para ouvir eram meus passos. Quando não havia luar, então... A rua era breu, e a trilha sonora era o tram tram tram tram de meus pés esmagando as pedras em um ritmo constante. Parecia trilha de um Hitchcock. Mas o maior barulho era aqui dentro: minha mente ia inventando mil coisas absurdas, alimentada pela adrenalina. E aí eu se transformava em ele: Ele caminhava solitário pela noite escura, sem perceber que sua vida corria um imenso perigo...
E, assim, um percentual considerável da minha vida acabou sendo em terceira pessoa.

E hoje ainda é.

Acontece comigo. Acho que acontece com você, também. Afinal, meu cérebro e o seu foram feitos da mesma forma, das mesmas substâncias químicas e têm o mesmo tamanho. Não tem como sermos tão diferentes assim. Ou tem?

quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

Sobre espelhos, armários e buracos negros


Há uns anos, quem quisesse saber sobre mim poderia fazê-lo apenas lendo este blog. Bem, nem tanto, talvez, pois havia (e ainda há, muahahaha) aquele armário de canto, com as portas bem fechadas, onde a luz não penetra e os monstros se escondem. E, volta e meia, quando é frio e escuro, eles se permitem uma volta ou outra, e raramente são avistados. Porém, se você vê-los, pode ser que se assuste um pouco, ou nem tão pouco assim. Eu sei disso porque já vi acontecer. Já vi algumas pessoas experimentarem algumas sensações bem desagradáveis. Medo. Raiva. Tristeza.

Porém, pensando bem, talvez não seja um armário, e talvez não sejam monstros, mas um buraco negro, de onde nem a luz escape. Um buraco negro formado pela sobreposição de múltiplos eus.

Você tem cinco anos e está chorando na frente de um espelho. Você está se achando um inútil (MAS, PELO AMOR DE DEUS, QUE UTILIDADE PODERIA TER UMA CRIANÇA DE CINCO ANOS?), e as lágrimas não param de escorrer. Você fica ali, apenas encarando e decorando a forma como as lágrimas escorrem, como as rugas se formam por todas as partes do rosto, desfigurando a boca, a testa, os olhos. Ou será que é apenas a forma como você vê, através da lente das lágrimas nos seus olhos? Difícil precisar. Você apenas fica ali, chorando, até as lágrimas terminarem. Então enxuga o rosto, levanta-se, busca sua bola ou outro brinquedo qualquer (ou nada, como muitas vezes já fez), e corre para o pátio. Você vai brincar porque é só isso que as crianças sabem ou deveriam saber fazer. Você se foi, mas o espelho permaneceu ali, e, dentro dele, algo ficou gravado. É como se naquele espelho um pedaço da sua alma, a alma de um momento que nunca foi resolvido, ficasse impresso. E aquele pedaço de alma frio e desagradável fica ali, retido, aguardando por uma resolução que nunca virá. Pelo contrário - logo haverá outro pedaço de alma, de um momento qualquer, que será jogado sobre o fragmento anterior. Com o tempo, as fatias de momentos monocromáticos e desesperançados vão se sobrepondo, até que não mais é possível distingui-las uma das outras, pois que formam apenas uma massa negra e disforme. Demorou, mas finalmente você conseguiu criar seu próprio buraco negro particular.

Esse buraco negro não é bidimensional. Embora pareça, se você pudesse olhar de lado, veria um sem-número de momentos, acachapados, prensados uns sobre os outros.
Claro que não é um quadro bonito para se ter na sua sala de estar, não é mesmo? Então você esconde e torce para ninguém chegar tão perto a ponto de se machucar, porque o quadro é, na verdade, o armário dos monstros. O quadro vive, respira, age. Ele vive e pulsa.
E o quadro sou eu, embora eu não seja o quadro.

Assim, então, talvez eu não seja (ou assim não me considero, ao menos) raso pelo fato de ter tido que cavar muito fundo para sufocar essa parte da minha personalidade com a qual nunca consegui lidar direito, o que não significa, entretanto, que essa parte de mim não dite as ações aqui e ali, pois nos momentos de escuridão as sombras tendem a prevalecer. Ou talvez isso tudo não passe de um mal entendido de mim comigo mesmo. Ou, ainda, eu esteja mentindo, aqui, a respeito de tudo isso. Você nunca vai saber. Mesmo eu talvez nunca descubra, vai saber...
Porém uma coisa posso assegurar: quem quiser saber sobre mim não leia o que escrevo, porque não estou mais preso a estas linhas mal ditas.

Obs.: A 'Saga dos Espelhos' não termina por aqui, pode apostar seu cavalinho nisso.

terça-feira, 13 de dezembro de 2016

Suicídio II

Estamos no fim de 2016, e já tem mais de cinco anos desde que escrevi sobre o que eu pensava sobre suicídio, em maio de 2011. Hoje, porém, não ouso reafirmar tudo o que escrevi, e vejo aquela opinião como de alguém com quem concordei um dia, mas que era simplista demais para ver o todo. Este eu atual, no entanto, não é tão simplista a ponto de deixar de reconhecer sua própria simploriedade (se é que essa palavra existe). Em múltiplos sentidos sou apenas mais um cara sem estudo; completamente ignorante a respeito do que me cerca. Agora é tempo de, reconhecendo isso, tentar entender um pouco melhor esse tema tão complexo, escrevendo mais uma série de besteiras ao respeito, como sempre foi do meu feitio (espero que poucas pessoas cheguem até aqui).
Em 2011 tratei do tema da maneira como o sentia na época. Por isso não recrimino quem pense daquela forma pois, em alguns casos, pode mesmo aquilo ser verdade. Ou seja, também não me recrimino por ter pensado daquela forma, nem por ter escrito daquele jeito - com com mais erros gramaticais do que gostaria. Lá eu afirmei de forma simplista e quase banal que o suicídio tratava-se de uma covardia. Sem me alongar demais requentando o que já escrevi, quero afirmar categoricamente que eu estava errado, e meu texto é quase um crime contra a gramática, contra quem já enfrentou dor de perder alguém dessa forma e contra quem já cogitou fortemente cometer o ato. Como estou nos dois últimos grupos, e acredito que consigo pensar um pouco diferente agora.
Agora acredito que a dor e a frustração de viver podem ser tão intensas que acabam destruindo o sentido da vida. Ou então a vida parece simplesmente ter chegado ao fim, enfim...
Mas a dor sim, a dor é o gatilho. É nisso que acredito agora. A insuportabilidade da dor e a falta de perspectiva de que as coisas melhorem é o que produz o resultado fatal. Primeiro o coração morre, e aí tudo vai perdendo o sentido. Sim, porque sem amor, sem coração, não há sentido para nada. A consequencia óbvia é interromper a própria vida. "Mas e os que ficam?" Bem, os que ficam ficarão bem - é o que pensa quem está partindo. Quem fica sempre fica bem. E vai chorar um pouco, é normal, mas com o tempo passa - o tempo cura tudo.
O tempo cura...
Sim, talvez se quem partiu tivesse conseguido esperar um pouco mais, o tempo tivesse tido tempo de fazer aquilo que o tempo faz tão bem.
O tempo. O tempo e a esperança, não do verbo esperançar, mas do verbo esperar mesmo. Porque se as pessoas esperassem, o tempo teria tempo.
É tão duro pensar que tudo poderia ter sido diferente se o tempo tivesse tido tempo. 
E a vontade que fica é de voltar no tempo para dar mais tempo ao tempo. 
E desculpe soar repetitivo, sou meio monótono em termos. Falo muito sem dizer nada. Triste...

terça-feira, 24 de março de 2015

Um pouco mais de mim.

Resolvi postar um pouco mais do que sou e do que gosto.
Na falta do que fazer, invento algo; na falta de mim, reinvento-me.
É, eu gosto disso...

terça-feira, 18 de novembro de 2014

Sem Título


Mudanças. Mudanças sempre. Ontem foi meu aniversário, e nem tive tempo de ponderar sobre muitas coisas de que gostaria. Sou um sujeito que gosta de pensar, e, algumas vezes, de pensar sobre o pensar – mas isso já é as-sunto para outro texto, se é que ele virá.
As maiores mudanças que ocorreram neste ano foram as coisas em que deixei de pensar; os problemas com os quais deixei de me preocupar, e as certezas que desconstruí no caminho. Estou quase certo de que eu e você estamos errados a respeito de quase tudo, apenas somos cegos demais pra percebermos isso. Inventamos um mundo todo ao nosso redor. Criamos pontos de referência (ou pessoas de referência). Jogamos jogos inúteis, criados em nossa mente para um só jogador.
Perdemos.
Acreditamos que vencemos.
Sem querer, nos enganamos de propósito. Tentamos entender como as coisas são; como o mundo é; para chegarmos à conclusão de que (ora, mas vejam só!) estávamos certos o tempo todo.
Só que não. Só que nunca.
Nós nunca erramos, por isso estamos sempre errados. Nós nunca perdemos, e, desta forma, perdemos sempre. Futebol, política, religião... você está certo! Você sempre esteve! Um dia todos perceberão isso. A exceção sempre confirma a regra.
Sinto pena de nós, pobres humanos. Estamos no caminho errado. O bem nunca vence, senão nos filmes. Os maus não agonizam ao remoerem as maldades que cometeram - eles nem pensam no assunto -, e, no fim, tem um sono mais tranqüilo que o meu ou o seu. Os ladrões não vão pagar – a não ser os “bonzinhos”. Aquele que rouba a vida e a dignidade de milhares de pessoas seguirá impune. Não há nada que possamos fazer para sobrepujar isso. A única coisa que nos resta, em nossa impotência, é a resiliência.
Mas é claro que eu também estou errado. Parabéns para mim, eu sempre estou errado.

Sorte sua...

quarta-feira, 25 de junho de 2014

Call it magic!

Tem algumas coisas impossíveis de não serem compartilhadas. Achei esta música simplesmente incrível! Uma música que fala sobre o amor, sobre um coração partido, e sobre não ir em frente.

Ao menos foi o que depreendi dela.

Mais importante que superar um relacionamento é amadurecer com ele. Mais que evitar o sofrimento, é preciso abraçá-lo, vivê-lo e transformá-lo em aprendizado. Reinventar-se é preciso.

Sempre.

Bem, talvez a música não diga tudo isso, nem nada parecido, mas uma coisa puxa a outra.

Curta a música e sinta o significado das palavras como preferir...



segunda-feira, 19 de maio de 2014

Há cinco anos atrás, em uma galáxia muito distante...

Era dia 13 de maio de 2009. A vida era outra, os planos não eram os mesmos, e eu não sabia de muita coisa (se é que de alguma coisa sabia). A única certeza que eu tinha, naquele tempo, era que queria escrever. Escrever no sentido de botar para fora muito do que havia aqui dentro; muito do eu que gritava; a parte de mim a quem nem eu mesmo dava ouvidos ou atenção. Ao menos acho que era assim.
E isso foi bom.
Não tanto para que outros me lessem, mas para que eu pudesse entender uma parte de mim. Por isso criei o blog: para que funcionasse como um espelho acerca do que sentia e pensava. Funcionou. Passei a sair um pouco de mim para olhar-me com olhar de fora.
Hoje, porém, não sinto tamanha necessidade, e fui deixando as linhas cada vez mais ao lado. Tanto que já tem mais de ano que não escrevo nada por aqui. A vontade de escrever, além de não ser tanta, passa com a mesma efemeridade com que surge. Mas ela ainda vive; ainda está aqui dentro. E eu a posso sentir.
Porém o mundo ao meu redor mudou drasticamente desde que abri esse espaço. Hoje as coisas são diferentes. E considero minhas opiniões não formadas um tanto controversas para colocá-las a público. Além disso, não passam de opiniões quase vazias, baseadas praticamente em minha visão alienada de mundo.
Os próximos capítulos dirão se ainda escreverei mais por aqui ou se tirarei o blog do ar. Veremos. Por enquanto, parabéns...

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

O Quarto Rosa do Amor

E agora, um registro especial: O quarto que eu e minha amada estamos preparando para o amor de nossas vidas - nossa pequena Julia, que nascerá em pouco mais de dois meses.


O Caminho


Ainda ontem, enquanto estava perdido em pensamentos, fiz uma constatação. É claro que isso acontece seguidamente; não fazer constatações, mas perder-me em pensamentos vãos. Mas o que eu estava pensando é muitos blogueiros que escrevem sobre si mesmos (a exemplo deste que ora escreve) estão, na verdade, tentando encontrar-se. Falando no meu caso, em particular, percebo que a escrita é uma potente forma de localização. Escrever me ajuda a me situar no mundo. A cada texto que escrevo, é como se eu estivesse marcando pontos - mas não pontos como em um jogo, mas sim pontos em um mapa. Talvez keyframe seja a palavra mais adequada para expressar o que penso a respeito dos meus textos. Se eu ler algum texto que escrevi há tempos atrás, vou constatar - como já me aconteceu - que eu não estou mais naquele momento. Não sou mais aquele retrato que pintei de mim. Mas o fato de ter escrito aquele texto revela o que eu pensava a respeito de algo na época. E aquilo que pensava está de acordo com minhas decisões e meus sentimentos. É a foto - uma imagem do meu interior congelado no tempo. E a melhor parte é que posso olhar e ver quem eu era quando escrevi. Posso encontrar-me com um eu que já não existe. Então, passando a textos posteriores, consigo perceber o movimento. Ora uma simples oscilação, ora uma guinada capaz de atirar um passageiro desavisado pela janela.
A busca, é claro, nunca terminará. Pode acontecer dela ficar mais ou menos importante, mas a caçada a mim mesmo nunca finda. Não há como. Sou (somos) muito mutáveis e inconstantes. Porém, sigo buscando-me e observando-me por dentre múltiplos espelhos, ângulos, iluminações e, por que não dizer, vetores.
Ao menos se eu não puder me encontrar, poderei ao menos ligar alguns pontos para ver o que me aconteceu, tentar encontrar um padrão e acertar onde será o próximo impacto. Se bem que é mais provável que eu esteja ali no sofá, conversando com amigos e tomando uma cerveja bem gelada.
Aceita uma?

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

I don't belong here...

Compartilho esta música no Blog, pois aqui é meu lugar. Mais que qualquer rede social.

Compartilho esta música porque não pertenço a este lugar.




Música perfeita!  [...]

Agora.

Agora tenho alguns pensamentos vãos. Atrevo-me a colocá-los em palavras para que não se perca o que agora penso. Mas o agora é apenas um momento em um lugar que nos atrevemos a chamar de 'presente'. E talvez esse lugar nem exista.
Einstein mesmo já predizia em sua teoria do espaço-tempo que o presente é muito relativo. Alguém em movimento, muito longe daqui, estará vendo o nosso passado, assim como daqui observamos o passado do universo. Da mesma forma, outra pessoa, dependendo da direção em que estiver se movendo, poderia ver o nosso futuro. Então, de acordo com esta teoria, o presente não faz tanto sentido. Será? Eu também não sei.
Se você está lendo isso, quer dizer que o meu 'agora' já ficou para trás, e o que você lê não é nada mais nada menos que um dos meus muitos passados. E escrevo isso para que fique claro que o que ora escrevo pode muito bem não mais fazer parte da minha vida. E vejo que muitas das coisas que escrevi aqui, no passado, já não me refletem mais. Ainda assim fico contente de não ter me perdido ao longo do caminho. Posso revisitar várias estradas e cruzamentos por onde passei. Posso constatar que de nada me arrependo - ao menos dos pontos de vista que claudicantemente expus aqui, no passado.
Ah, o passado...
Num passado mais distante, eu era apenas uma criança que queria enxergar o que havia sobre a geladeira. Queria ser mais velho para poder fazer o que os mais velhos podiam. Irônico. Lembro-me da primeira vez que 'virei' um jogo de videogame. A sensação da vitória mesclada com a frustração de já ter feito tudo o que podia fazer. Não havia mais nada a explorar naquele cartucho. Então era a hora de mudar a dificuldade, ou partir para novos desafios. Aprendi a tocar violão - queria porque queria saber tocar Legião Urbana. Consegui. As músicas que antes eram lindas e difíceis continuaram lindas, mas ficaram fáceis. Me apaixonei pela bossa nova. Comecei a tirar algumas das músicas interpretadas por João Gilberto, Tom Jobim, Vinícius e Caetano. Parei. Cada música que eu aprendia já não era como antes. Eu já não escutava com o mistério, com o desconhecido, me arrepiando a cada dissonância tão harmônica que me emocionava. Escutava e achava bonito, apenas.
E pensei: "Então é isso que acontece quando a gente aprende as coisas: elas perdem grande parte do seu encanto."
Isso foi há algum tempo atrás.
Amanhã chegará o futuro, e com ele a minha filha Julia (ou Júlia, ainda não está certo). Isso me dá alegria, e uma sensação diferente. Me emociono pensando em como será criá-la e educá-la. Regozijo-me na incerteza que é uma criança. Mal posso esperar...
E, assim, penso que a incerteza é uma dádiva. Uma bênção misteriosa e mágica que nos dá motivação para querermos pessoas melhores e um mundo mais belo.
Ainda não havia escrito nada sobre minha filha, ou para ela. Ainda não consigo muito falar sobre essas coisas - por enquanto estou apenas sentindo.
E o que desenvolvi nesse texto é pouco perante aquilo que penso agora.
E tudo o que sou agora, e que já ficou para trás, embora seja passado, faz parte daquilo que sou no presente, se é que isso existe...

domingo, 6 de janeiro de 2013

Assistindo Dexter


Para quem não está familiarizado, Dexter é uma série norte-americana (canal Showtime ou FX no Brasil) sobre um assassino (que dá nome à série) que mata assassinos. Ou seja, ele é um assassino em série com um código: matar apenas aqueles que ‘merecem morrer’. É um código dado a ele por seu pai, que era um policial.
Um código.
Esse código é como uma ética distorcida. Seu pai sabia que ele era um assassino, um psicopata. Por ser policial, soube desde que Dexter era jovem, ainda criança, que ele era diferente, e o protegeu. Ensinou-o a forjar sentimentos e enquadrar-se na sociedade. E mais ainda: ensinou-o os métodos de identificação de criminosos, para que Dexter pudesse encobrir todas as suas pistas e nunca ser capturado pela polícia, enquanto identificava e matava criminosos em Miami.
Durante sua vida, Dexter sabe o que é – um monstro. 
Posso estar exagerando aqui, mas eu acredito que, se pensarmos bem, todos somos um pouco “Dexters”. Temos um código que nos permite vivermos em paz e temos monstros adormecidos em nosso interior. Ah, sim, talvez nenhum de nós (assim eu espero) tenha matado alguém com uma lâmina cortante, mas somos capazes de maiores atrocidades sem nem ao menos precisarmos usar qualquer tipo de arma. Bastam apenas palavras, gestos, olhares e sentimentos – e pronto: podemos destruir alguém da pior forma que há: de dentro para fora.
E a parte interessante desta pseudoconstatação é que, tal como Dexter, todos temos um código. Um código de ética deturpado que nos permite fazer aquilo que é errado como se fosse o caminho mais certo e lógico a tomar. Ou você pensa que um político que rouba ou um motorista que dirige embriagado está fazendo uma coisa errada? Talvez sim do ponto de vista legal, mas não do ponto de vista de suas éticas deturpadas. Sempre há uma justificativa superior à lei. É o certo, e apenas eu posso dizer aquilo que é certo para mim. Não pode a sociedade ou leis fazerem o serviço de minha consciência. Ainda mais numa sociedade com valores invertidos, com leis compradas, feitas por legisladores corruptos. Sim, todos temos códigos – cada um o seu. “Aqui não precisa usar cinto de segurança”, “não há nada mal em se levar uma vantagenzinha aqui ou ali”, “o juiz não viu”, “ninguém vai ficar sabendo”...
Meu ponto de vista é que, em geral, as pessoas não fazem aquilo que julgam ser errado; antes elas se justificam criando argumentos plausíveis (ao menos no ponto de vista delas) para suas condutas erradas. Mas o que é o certo? E o que é o errado? Podem as leis dizerem aquilo que é certo ou errado? Pode alguém que não seja você saber?
Vejamos, matar é errado, mas se for em defesa própria, então é certo. Furto é crime, mas se você furtar um pão para que seu filho não morra de fome, então é certo. Se furtar um salame junto, aí continua sendo errado. Temos leis para nos dizer aquilo que é certo e errado; e temos juízes para condenar aqueles culpados por fazerem aquilo que é considerado errado. Mas há justiça?
Então é isso. Para vivermos em paz basta ajustarmos nossa ética à da sociedade e domesticarmos os monstros que dormem no interior de nossas almas atormentadas.

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Viciado


Eu tenho um vício. Um que eu nem sabia que tinha. Sou viciado em escrever. Posso ficar seis meses sem alimentar meu vício, mas as letras ficam pulsando em minha mente, tentando expressar meus pensamentos. O que as palavras querem de mim? Entender. Elas querem me fazer entender, a mim mesmo e aos outros. Sim, porque sou muito mal interpretado até mesmo por mim nestes dias. Olho no espelho sem entender ao certo o que ele reflete (ah, os espelhos de novo...).
Preciso organizar e expor o que penso sobre as coisas. Agora mesmo escrevi um pouco sobre minhas concepções sobre o certo e o errado, que não ouso postar aqui. Escrevi, e passou, por enquanto.
E assim vou tocando a vida, enquanto quase não toco no Blog...

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

2013, e daí?

Acho engraçado, e sei que não sou só eu, o alvoroço a respeito da passagem do ano velho para o ano novo. Muita gente agindo como se tudo fosse mudar - só que não muda. Ok, talvez eu esteja sendo meio dramático, mas que se dane! É o que eu penso. O ano novo começou, e agora? Nós provavelmente seremos os mesmos, a agir da mesma forma, baseada nos mesmos princípios. Ainda nos consideraremos loucos, seja pela forma como agimos, seja pela forma que pensamos, seja pela forma que sentimos. Vamos pensar que somos diferentes, sem dar-nos conta de que nunca fomos tão iguais uns aos outros. Vamos passar em um concurso, trocar de emprego, trocar de amor, terminar um curso superior ou uma pós – e a engrenagem que move o mundo não vai parar, quer façamos todas essas coisas, quer não façamos nada. E, se amanhã, algum de nós não estiver por aqui, poucas pessoas vão se desesperar, alguns vão chorar e sentir a tua falta, e muitos vão lamentar “Que pena, era uma boa pessoa. E a vida segue...” O universo, no entanto, não notará a tua falta. (Ele nem sabia que você existia mesmo!)
Posso estar sendo um pouco melancólico demais aqui, mas nós vivemos nossas vidas muito baseados no "tomara".

Tomara   |  que seja bom.
              |  que amanhã melhore.
              |  que faça sol.
              |  que amanhã chova.
              |  que tudo se resolva.
              |  que eu seja feliz para sempre.

Esperança. Talvez seja isso que nos leve a crer que as coisas serão diferentes. Mas não é o bastante. E tudo o que se precisa para que as coisas sejam diferentes é muito mais simples e está muito mais próximo do que a gente imagina. Está tudo aqui, dentro de nós. É a forma como observamos as coisas que faz com que percebamos o mundo e nossas vidas de forma diferente. É preciso ver a beleza oculta nos detalhes. É preciso olhar com os olhos de uma criança, e ver mais do que aquilo que está na imagem.
O ano novo pode acontecer a qualquer momento, num piscar de olhos.
Ou pode ser que vivamos eternamente em coma...

domingo, 16 de setembro de 2012

Copo

Decido tomar uma ou duas cervejas para 'encerrar' a noite de domingo. Escolho o mesmo copo - o que me leva a pensar. Desde que ganhei esses copos, elegi um favorito e só bebo nele. Por quê? Será que isso sou eu? O mesmo copo, o mesmo caminho, as mesmas pessoas, os mesmos programas; tudo o que eu não quero. Fico pensando que as pessoas são assim, e eu não sou diferente de ninguém. Não sou capaz de me reinventar. E quem é? Acho que ninguém - é a vida que reinventa a gente. É aquele momento em que tudo parece estar dando errado, e então a gente renasce das cinzas, mais fortes do que antes (e, nesse momento, me vem na mente a imagem de uma fênix). O problema é que a gente não vê isso. Não conseguimos ver além dos problemas. Vemos apenas a morte que nos cerca, e a repudiamos com violência, retardando sua chegada, definhando enquanto respiramos por aparelhos, agarrando-nos às células cancerosas que insistem em não nos obedecer mais, agarrando-nos às cinzas de uma vida velha. Não queremos a morte, não nos entregamos a ela por medo. Ironicamente, no rádio, alguém fala sobre "zona de conforto". Deviam trocar o nome dela para 'zona morta'. A zona de confronto é que a gente evita. E, com isso, privamo-nos de nosso próprio crescimento. E tudo isso por quê? Porque insistimos em beber sempre em um mesmo copo...

terça-feira, 31 de julho de 2012

Certo x Errado

Há o que é certo e o que é errado, certo? E talvez, entre o certo e o errado, provavelmente pendendo para um dos dois lados, há o adequado. Ok, isso foi criação minha (provavelmente não, mas apropriei-me dela). Quando penso a respeito do certo e do errado, arremeto-me à infância em busca de uma solução para o enigma. Ah, eu já sei, para você as coisas são mais simples e práticas? Menos mal. Porém, deixe-me lhe apresentar a versão do lado de cá das linhas.
Sim, porque o lado de cá é o único de que disponho no momento. Me faz lembrar quando escrevi, certa vez, que a verdade não existe. Ainda penso que há apenas a parcialidade. E talvez com o certo seja semelhante. Será? Estou tentando descobrir. E, enquanto tento, me sinto navegando em águas misteriosas. Verdades, mentiras, certos, errados, adequados, escolhas e decisões... tudo me parece um tanto vão, sabe? As coisas às vezes apenas acontecem sem querer. Como se alguma ordem cósmica (deixarei divindades de fora deste texto) apenas dispusesse as coisas a esmo. De repente esbarro em você e isso te impede de chegar aonde desejava. (Parece um filme chato que vi uma vez.) Porém, ao não chegar aonde desejava, pode ser que tenha tido uma vida melhor. Ou pior. Tudo porque esbarrei em você sem querer. Para você, o acaso; para mim, o erro do descuido ao andar distraidamente pelas estradas da vida. Erro ou escolha?
Talvez a gente não erre por opção, mas por acidente. E siga errando por imaginar que por trás do erro há um acerto. Como se por instinto a gente reconhecesse a paisagem. Eu já estive por aqui antes. Provavelmente o caminho não é esse, mas e se?
E então a gente segue. Sem olhar atrás, sem fazer o retorno ali na esquina. A gente vai. E não porque pensamos que estamos certos, mas porque pode haver uma outra rota. Parar para pedir informação é para os fracos, meu cérebro é praticamente um GPS.
Eu sei aonde estou indo. Talvez eu não saiba exatamente como chegar lá. Mas eu vou chegar, pois decidi que chegaria. Mas posso não ter escolhido o caminho mais fácil (e quem disse que era o que eu queria?).

De mais a mais, já gastei alguns neurônios aqui, sem chegar a lugar nenhum. Mais um texto enfadonho do qual não me orgulho, com muitas entrelinhas e sem um ponto final, fora as pontas soltas (alguém aí reparou que não escrevi nada sobre a infância?). Menos respostas e mais questionamentos.

Quem sabe se esbarrarmos novamente, eu possa explicar melhor aonde deve ir. As consequências ficarão por sua conta e risco. Vai encarar? Então é melhor encher o tanque, pois não sei exatamente o rumo, mas tenho certeza de que a estrada será longa, e o céu nunca será o limite...

sexta-feira, 27 de julho de 2012

Talk

É noite quando saio da cidade e ganho a estrada, após sair da terapia. Encho o carro de música e deixo minha mente viajar por lugares incomuns. Começo a pensar naquilo que fui, no que sou e no que pretendo ser.
Livre. Eu quero ser livre.
Então me lembro de que não acredito na liberdade. E nessa hora a canção diz "Every time she closed her eyes" - Toda vez que ela fechava os olhos.
Ela sonhava com o paraíso, toda a vez que fechava os olhos.
E, na noite da tempestade, ela voou para longe
e sonhou com o paraíso...

Começo a pensar que a liberdade é poder voar.

Começo e termino uma série de pensamentos sobre inúmeros assuntos, com apenas um ponto em comum: EU.
Não é egoísmo. É uma busca.
Afinal, "você está perdido ou incompleto? Você se sente como um quebra-cabeça, e não consegue encontrar sua peça perdida? Me diga: Como você se sente?
Vamos apenas conversar..."

quarta-feira, 27 de junho de 2012

Textos e + Textos...

Escrevo. Escrevo porque gosto, e pouco me importa se alguém lê ou não, apenas sigo escrevendo. Costumo pensar, dizer, escrever e reclamar que minhas palavras escritas são melhores que as faladas. Mentira. Falácia, apenas. A verdade (se é que existe uma verdade) é que eu nem sei como soam minhas palavras, sejam elas escritas ou faladas, nas mentes e ouvidos dos outros. Tudo o que eu tenho é a parcialidade. Mentira, tudo o que tenho é a parcialidade e muitos espelhos. Ah, espelhos tenho aos montes - um para cada ocasião. Há os que deixam gordo, magro, alto, baixo e até os que me fazem parecer inteligente. Tudo depende exclusivamente daquilo que escolho ver. Enquanto isso, sigo escrevendo. E já escrevi centenas de textos. Muitos deles - talvez a maioria - impublicáveis. Há os que eu mesmo não ouso reler, há os que tenho orgulho de ter escrito, e há aqueles, como este por exemplo, que me são totalmente indiferentes. Há também os contos. De vez em quando surge alguma inspiração proveniente de algum canto hediondo da minha alma que me compele a escrever. Mesmo não querendo, acabo por ser obrigado a isso. É como uma espécie de pressão. Nessas horas, a única forma de retirar o assunto da minha mente é colocando-o neste depositário insólito e esquecido de pensamentos vãos. Assim, vão os pensamentos vãos, como vã vai seguindo a vida, enquanto eu vou contando os dias cotidianamente, refletindo em vão, fugindo em vão, preocupando-me em vão. Ah, que tal deixar tudo de lado hoje e apenas viver o dia? É. Acho que assim é ótimo. Como disse o poeta, "eu vivo um dia de cada vez". O resto é um puta de um vão, isso sim. E chega de teorias por hoje!

domingo, 24 de junho de 2012

Enquanto isso...

Tenho pensado muito, e escrito pouco. Gosto de escrever, pois me ajuda a entender as coisas, e, como até já devo ter escrito neste blog, eu gosto de entender as coisas. Gosto de saber como as coisas funcionam. Talvez eu me apegue demasiadamente a teorias, regras e fórmulas que tornem minha vida possível. Será? Sinceramente não sei. Mas penso e escrevo, na esperança de descobrir. Na esperança de me descobrir.
É o que faço agora - procuro-me. Estou naquela fase de ficar reconstituindo mentalmente os passos que dei até chegar onde estou, para tentar perceber o que deixei pelo caminho. Ou mesmo para descobrir onde vim parar. Já tomei tantas estradas na vida que uma alternativa que não descartei foi eu ter errado a entrada em algum trevo qualquer. Se ao menos eu tivesse um GPS para me guiar de volta, ou para recalcular a rota... mas não. A única alternativa que resta em nossas vidas (ou ao menos na minha), é seguir em frente, torcendo para encontrar aquela paisagem que faz a gente pensar: "é por aqui mesmo, eu reconheço este lugar, sei que estou no caminho certo...". Enquanto isso...